Braga, PN Peneda Gerês, Viana do Castelo, Vila Real

À conquista do Parque Nacional da Peneda-Gerês – 5º Dia (último dia)

17/09/2007

Rota: Lamas do Mouro – Castro Laboreiro – Melgaço – Caminha – Vilar de Mouros

 

Tomado o pequeno-almoço e o banho matinal o trilho segue para Castro Laboreiro, também apelidado carinhosamente por muitos de “planalto mágico”. Iremos descobrir porquê…

Castro Laboreiro é sobejamente conhecido pelos seus lobos, pelas suas montanhas, pelas “inverneiras” e pelas “brandas”, uma cultura singular de transumância perpetuada pelos tempos.

Para começar, um ida ao Centro de Informação de Castro Laboreiro. Ao contrário do que fomos encontrando quer nas delegações do PNPG, quer nos centros de informação, aqui a simpatia, a prestabilidade e o conhecimento concreto da realidade local foi uma surpresa positiva, uma mais-valia para o resto do dia. Depois de uma animada conversa, de uma passagem rápida pelos principais jornais on-line e consulta do correio electrónico, seguimos o trilho que nos leva até ao Museu de Castro Laboreiro. 

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Museu de Castro Laboreiro

 

A subida ao Castelo de Castro Laboreiro mostrou-nos uma paisagem singular, vales escarpados com fundos verdejantes adornados com as cascatas dos seus rios…

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As “brandas” e as “inverneiras” 

As “brandas” e das “inverneiras” marcam esta cultura única neste planalto mágico.

A população vivia essencialmente da agricultura e da pastorícia levando à criação de costumes que facilitassem esta tarefa e tendo em conta as baixas temperaturas que se faziam sentir no inverno. Como escreve Orlando Ribeiro “A população passa na branda a maior parte da Primavera, o Verão, o Outono; em Dezembro começa a baixar para a inverneira (para em baixo), onde toda a gente deve estar na noite de Natal. É verdadeira migração global, que se realiza a pé e em carro de bois, transportando-se para baixo gados, criação, utensílios, roupas e até o gato atado com um cordel a um fuelro. As casas da branda ficam fechadas e desertas enquanto duram as frialdades e tempestades de Inverno. Em Março ou Abril, isto é, pela Páscoa, sobem para a branda (para em riba), donde descem, para trabalhar a terra ou colher o renovo, por um dia, voltando a dormir à branda».

Na branda os terrenos eram mais férteis e as águas mais frescas no verão.

Percurso das “Brandas” e “Inverneiras”

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Além das “brandas”e “inverneiras” o lobo é actor principal por estas bandas… o seu uivo é presença habitual nas noites de lua cheia e com companhia sabedora em trilhos ancestrais quem sabe não lhe saia um “busto” pela frente…

A relação não amistosa homem-lobo vem de longe, foi peça da maldição dos contos, do temor dos pastores… até espécie protegida.

Com a escassez das suas presas naturais, este viu-se a descer a montanha e a fazer investidas junto das populações atacando gado doméstico. A pouco e pouco criou-se uma relação de conflito entre estes dois actores.

Originalmente distribuído praticamente por toda a Península Ibérica, actualmente o lobo ibérico (Canis lupus signatus Cabrera, 1907) está limitado à região Nordeste. Em Portugal a espécie é considerada em perigo de extinção (Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, 1990), estando totalmente protegida por lei desde 1988. No nosso País, a população lupina tem vindo a decrescer rapidamente, principalmente desde a década de 60, quando ainda se podiam observar lobos no Alentejo. Presentemente, esta espécie existe apenas nas regiões mais montanhosas e menos povoadas do Norte e Centro do País, correspondendo a cerca de 20% da sua primitiva área de distribuição.

Em Castro Laboreiro tem sido feito um esforço de protecção, de mudanças de mentalidades de forma a uma convivência tranquila entre homem-lobo!

 

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Cão de raça Castro Laboreiro – raça autoctone. Cão inteligente e meigo dedicado na protecção do rebanhos e companhia.

 

Infelizmente, o tempo voou… o sol estava já no seu zénite.

Era chegada a altura de deixar Castro Laboreiro. Mas aqui ficava a fiel promessa de um dia (brevemente) voltar, porque muita coisa ficou por ver, por sentir, por admirar… enfim o Gerês não se visita, vive-se e respira-se e de certeza quem por lá passa levá-lo-á no coração.

Faz-se caminho e o Gerês começa a ficar para trás… agora são as terras do alvarinho, um pouco mais e sente-se o cheiro a maresia… Caminha!

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Sentir a areia nos pés, um mergulho na no mar. É o contraste… a beleza de Portugal. Em minutos viaja-se da serra ao mar, de paisagens bucólicas e vales escarpados à imensidão de um azul salgado e paisagens salpicadas de barcos e gaivotas.

As estrelas chegavam para nos fazer companhia, hoje, no Parque de Campismo de Vilar de Mouros.

 

Adeus Gerês, até sempre…

 

dia_5.jpgmapa completo

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