Belgica

Hoje o meu trilho leva-me a Dinant (Wallonie – Belgium)

23/05/2008

Sans le jazz que serait la musique? Mais sans le sax, que serait le jazz ?

Dinant não é mundialmente conhecida, mas deveria ser… apesar de bela não é uma cidade de beleza ímpar. Mas Dinant tem o seu lugar na História por ter gerado aquele que inventou e dá nome a um dos mais belos e imprescindíveis instrumentos musicais. Adolphe Sax, o inventor do… Saxofone, pois bem, nasceu em Dinant em 1814, no seio de uma família de artesãos que se dedicavam ao fabrico de instrumentos musicais.

Sentia que o dia estava frio, mas acho que o frio percorria mais o meu corpo que o dos outros, era um dia estranho! O sol, como quase todos os dias, fez novamente das suas: não me deixou dormir. Pego na “La guide du routard – Belgique” e o marcador aponta para uma cidade que nunca tinha ouvido ninguém pronunciar: Dinant.

Com a minha companheira imprescindível das viagens e de mochila às costas empreendo em passo apressado uma caminhada até à “Gare de Louxembourg”, situada mesmo ao lado do Parlamento Europeu. Já tinha falado em momentos anteriores que a Bélgica tem uma alta concentração de caminhos-de-ferro, isto é, podemos ir a qualquer lado de comboio. Mas encanta-me acima de tudo o “weekend” ticket, viajas por toda a Bélgica com desconto de 50% durante o fim-de-semana.

O comboio vai para sul, dizem que para a parte mais bonita da Bélgica, a Valónia. Perco o cheiro e as visões cinzentas da cidade, deixo Bruxelas para trás, finalmente! Sinto-me a serpentear o rio “Meuse”, a maquina que já não é mais a vapor têm já uma cumplicidade atraente e visível com o rio… já se conhecem, saúdam-se todos os dias! Às vezes parece que falam um com o outro, parece que consigo ouvir os risos tímidos da máquina e o bailado das pequenas ondas do rio, aperaltadas e dançando ao sabor do vento, só para ela, para a maquina que já não é mais a vapor.

Terminado o serpenteado surge diante dos meus olhos uma visão magnífica. Uma imponente catedral, erguida encostada ao morro, uma escapa de uns bons metros que irrompe em direcção ao céu e em cima vestígios de uma fortificação antiga. O rio é agora a sopé da cidade, o seu guardador e uma das suas maiores atracções. De toda a Bélgica e Luxemburgo vêm aqui pessoas fazer canoagem, escalada, etc… por isso não fiquei surpreendido quando vi as ruas num emaranhado de turistas de maquina na mão e parando em frente das simplórias lojas de souvenirs.

Os meus trilhos vão sendo feitos… pé ante pé e se vai trilhando o caminho. Tenho perguntado a mim mesmo se voltarei um dia, se voltarei a reconhecer os meus passos e se as pedras da calçada voltarão a lembrar-se do meu pé ligeiro e desarticulado…. Ao mesmo tempo espero não voltar, espero levar essas boas recordações na memória e imagens gravadas na retina.

As memórias são traiçoeiras, obrigam-nos a olhar para trás e na vida tenho que caminhar em frente, porque se olho para trás arrisco-me a escorregar…

Comentários

Comentários

1 Comment

  • Reply solagasta 08/08/2008 at 17:33

    Simplesmente fantástico!!
    Parabéns pelo blog e continuação de boas viagens.

    SOLA GASTA

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