Asia, China, Hong Kong

Hoje o meu trilho leva-me a Hong Kong

06/02/2009

Há quem o ame e quem o despreze, mas há custa de suor e lágrimas desprendeu-se de preconceitos e marcou o seu lugar na História da Humanidade – o Ópio. Foi amado pelos poetas, pelos amantes da noite, pelos que mais não têm que a companhia de uma insónia. Qualificou a religião nas palavras cruas do filósofo, foi a inspiração dos poetas e a desculpa para Hong Kong.

Hong Kong by night

Hong Kong by night

 

É verdade! Sem o ópio não existia o magnífico cenário capaz de fascinar qualquer um que suba o “victoria peak” naquela hora do “lusco-fusco”. Sem o ópio não existia a China unida na sábia maneira de Deng Xiaoping ver a terra dos mandarins. Sem o ópio não existia um dos maiores pulmões financeiros da humanidade.

Os famosos elétricos de "2 andares", únicos no mundo!

Os famosos elétricos de “2 andares”, únicos no mundo!

Em 1820, os ingleses haviam obtido a exclusividade das operações comerciais no porto de Cantão. Importador de seda, chá e porcelana, então em moda no continente europeu, a Inglaterra conhecia um grande déficit comercial em relação à China. Para compensar suas perdas, a Grã-Bretanha vendia ópio indiano para o Império do Meio (China). O governo de Beijing resolveu proibir a transacção da droga. Isso levou Londres a declarar guerra à China

Em consequência da 2º guerra do ópio a china viu-se obrigada a abrir 11 dos seus portos ao ocidente e a assinar o tratado de Tianjin. Começa a nascer Hong Kong como a conhecemos hoje.

Templo de Sik Sik Yuen Wong Tai Sin Temple

Templo de Sik Sik Yuen Wong Tai Sin Temple

Para qualificar o dia só recorrendo à imagem do “sfumato” a famosa técnica do renascimento italiano capaz de deixar transparecer na tela o que os olhos encalhados nas “mundanices” da vida se habituaram a ignorar.

As fotos teimavam em deixar os céus “estourados”, tal era a intensidade e estranheza dessa luz branca. As lentes da Canon ainda a sofrerem do Jet-Lag lá se foram adaptando aos ritmos de um compasso lento, pouco mais que parado. Desisti…

Preces no Templo de Sik Sik Yuen Wong Tai Sin Temple

Preces no Templo de Sik Sik Yuen Wong Tai Sin Temple

Se Macau tem um cheiro da desordem e do desleixo luso, Hong Kong consegue congregar o que de melhor têm os britânicos: o orgulho, o brio e a organização. Não é só o inglês que se fala nas ruas, é o requinte com que tudo é cuidado. O bucólico Macau de outrora viu-se transformado pelos arranhões laivos consumistas e capitalistas transformando-o numa desorganizada selva de betão sem “rei nem roque”, um autentico paraíso para os amantes do jogo e do sexo barato.

Oráculo

Oráculo

O tempo era pouco para sentir a cidade, falar com as gentes, criticar aqui e ali, repousar o corpo à volta de uma cerveja e deixar fluir as palavras como o vento.

De templo em templo, de metro em metro, a luz ia ficando retida por detrás das montanhas que tornam Hong Kong no local mágico para os amores e para os ódios. Até que por fim ficamos sós, com as luzes de uma cidade que parecia tocar o céu, até que… o céu veio até nós.

Templo de Sik Sik Yuen Wong Tai Sin Temple

Templo de Sik Sik Yuen Wong Tai Sin Temple

Uma tempestade de raios de luz, de lamparinas minúsculas que brilhavam em uníssono e que posavam ante os olhos.

Chegou a hora da cerveja mas também a hora de voltar a Macau.

Galeria de Fotografias

 

Comentários

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2 Comments

  • Reply Ana Afonso 15/02/2009 at 15:09

    Objectiva certeira e olhar preciso !

  • Reply Hong Kong (artigo publicado na revista Unibanco) « os meus TRILHOS 15/12/2011 at 23:09

    […] Os Meus Trilhos também por lá andaram, veja o que na altura escrevemos!!!! […]

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