Asia, Carreira da Índia, India

A velha delhi

19/09/2012

Carreira da Índia

Crónicas de uma aventura pela Índia, contada a dois, por Sérgio Lopes e Sandra Saraiva

Estávamos em jejum e a manhã já ia adiantada. Entrámos no museu Nacional de Nova Deli e a avisam-nos que a cafetaria está em obras. Conclusão evidente, não há comida. Errado. Como estamos na Índia, podemos usar a cafeteria dos funcionários do museu. A nossa escolha, no que respeita à ementa, foi radicalmente simplificada pois esta era bastante simples: Chaí e Chamuças – ligeiramente picantes, servidas em papel de jornal. Ora aqui está, começar o dia em grande!

Enquanto chovia lá fora, aproveitámos para percorrer o glorioso passado do subcontinente. Nas últimas salas encontrámos o espaço dedicado ao mar e como não podia deixar de ser, aos portugueses. Não da sua notável epopeia pelos mares nunca dantes navegados, mas sim, da sua capitulação em 1961, na Libertação de Goa, e a consequente retirada dos portugueses, mais de 450 anos após Vasco da Gama ter pisado este solo.

O Red Fort, mandado construir em 1546 por Shah Jahan

Numa cidade com muitos milhões de habitantes e milhares de riquexós, encontrar o senhor sikh de turbante branco do dia anterior, foi como encontrar uma agulha num palheiro. Saudámo-lo ao longe e seguimos para “old delhi”.

Deli nasceu da junção, ao longo dos tempos, de várias cidades, nas margens do Rio Yammun. Mas a grande revolução quer nas dinâmica da cidade, quer mesmo na sua extensão deu-se após 1911 quando os Britânicos decidiram transferir a capital do “império” de Calcutá para aqui. Começou assim a construção de “New Delhi”, com as suas avenidas largas e bem engalanadas.

Mas “old delhi” é diferente. Não! É radicalmente diferente. É a Índia que vemos nos filmes, a Índia da confusão e da miscelânea.

É difícil remar contra a maré. Chandni Chowk é um literal mar de gente. Adotámos uma estratégia simples, deixamo-nos ir ao sabor das cotoveladas, dos cheiros intensos e das insistências dos riquexós.Ao fundo da rua o imperador Mogol Shah Jahan, o construtor do Taj Mahal, ergueu um forte de pedra avermelhada, por sinal, o “forte vermelho”, bem nas margens do Rio Yamuna. Depois da morte da sua esposa, Shah Jahan decidiu transferir a capital do império de Agra para Delhi e não se poupou a esforços para construir uma fortaleza, que muitos pensaram ser inultrapassável.

No interior ergueram-se avenidas engalanadas e palácios, ao todo 11, adornados com as mais belas pedras preciosas.

Antes de entrarmos pela Chatta Chowk, a avenida principal do complexo, encontramos um grupo de miúdos indianos, de Mumbai. Extrovertidos e simpáticos, fazem-nos, num inglês perfeito, as perguntas da praxe: de onde somos, há quanto tempo viajamos na Índia e o que achamos do seu país.

Já dentro do complexo histórico a chuva resolve brindar a nossa visita, mais uma vez, abrigamo-nos e durante este período tornamo-nos a atração principal do resto dos visitantes que nos olham e fotogravam como se fossemos nós mais importantes que o forte.

Depois, na saída, de novo a confusão, sentimo-nos incapazes de alcançar a mesquita, ainda que esteja ali, tão perto ao alcance dos nossos olhos, mas longe dos passos que se confundem entre milhares de outros, de riquexós e numa teia labiríntica de ruas e ruelas. Mas, felizmente vem ao nosso encontro o próximo condutor de riquexó que se compromete a fazer-nos chegar ao destino, contornando a forte corrente que nos rodeia. Parece tarefa hercúlea, mas ele lá consegue contorcendo o veículo, seguindo o instinto nato de um indiano, habituado à cidade que o viu nascer.

Já cobertos, como mandam os costumes muçulmanos, percorremos a mesquita Jama Masjid e o seu enorme pátio onde nos olham divertidos pelos trajes que nos pediram para envergar e que nos assentam de forma ridícula.

O gigantesco pátio da mesquita, com capacidade para 25 mil fiéis

No final, o guia, ainda que mudo, lá se fez entender no que toca ao pagamento do serviço que nos foi imposto…uma soma considerável e que nos estragou o orçamento, mais uma peripécia na vida de turista.

Ainda nos faltava aguardar quase uma hora pela Inês, que a 500 metros de distância se viu em apuros para chegar a nós, virtude do trânsito, já de si caótico agravado por um festival hindu que saiu para a rua com danças e cânticos que alegravam o caos do que os rodeavam.

Acompanhem os nosso passos em:

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5 Comments

  • Reply Carreira da Índia « os meus TRILHOS 19/11/2012 at 22:52

    […] 5 – A velha delhi […]

  • Reply Ana Cooks 20/11/2012 at 14:27

    hey!!a rita falou-me do vosso blogue! Estou a adorar…também acabei de chegar do vietname.esta coisa das viagens é mesmo viciante!!!

  • Reply Luisa Sousa 20/11/2012 at 21:37

    Quando leio as vossas crónicas sinto que faço parte da viagem. Sinto as cores e os cheiros da India onde nunca estive. Viajar é das melhores coisas da vida.
    Obrigada por partilharem.

    • Reply Sérgio Lopes 22/11/2012 at 20:46

      Luísa, é sempre um prazer partilhar as viagens com os nossos leitores! Ainda temos muita coisa pra mostrar da Índia. Tem de ser aos poucos. E claro, viajar é extraordinário!!!!!!!!!

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