Bolívia, Nos Andes, pelos caminhos dos Incas, Peru

Lago Titicaca, o lago dos pumas de pedra

23/11/2015

Podes sentar alunos numa sala ensinar-lhe onde é o Lago Titicaca. Podes dizer-lhes que é considerado o lago navegável mais alto do mundo e que está situado a 3.821 metros acima do nível do mar. Podes dizer-lhes que o lago se situa no alto da cordilheira dos Andes, entre o Peru e a Bolívia e é o 19º maior do mundo.

Podes dizer-lhe tudo isso, mas não lhe podes mostrar o frio do azul que fulmina, o sorriso das pessoas que habitam as suas ilhas, o sentimento de pisar estes lugares sagrados.

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O lago Titicaca, a Isla de la Luna e a cordilheira dos Andes ao fundo.

Durante vários dias na nossa viagem pelos caminhos dos Incas, o Lago Titicaca e o seu azul fulminante fez-nos companhia. Primeiro, do lado peruano em Puno e nas Ilhas flutuantes dos Uros, depois já na Bolívia, em Copacabana e na Isla del Sol.

Chegámos ao lago vindos do Desfiladeiro de Colca, estivemos em Puno, atravessámos a fronteira em Kasani e parámos uns dias em Copacabana.

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A Sandra e o Sérgio na fronteira de Kasani, entre o Peru e a Bolívia.

A fronteira de Kasani parece uma feira, aqui tudo se vende e compra. Não há cancelas e o controlo é residual. Carimba-se o passaporte no lado peruano, caminham-se 300 metros e trata-se da entrada na Bolívia. Simples. Contudo não leia o Lonely Planet, há histórias para todos os gostos na passagem desta fronteira. Connosco, correu tudo às mil maravilhas, com um agradável “binevenidos a Bolivia”.

Mas também se chega facilmente ao lago vindos de La Paz, a principal cidade da Bolívia e que dista a cerca de 3 horas, com uma extraordinária travessia de um dos canais do lago. Atravessámos o lago de Copacabana em direção à Bolívia, mas deviam ver o nosso espanto quanto chegámos a um braço do lago e vimos o nosso autocarro a atravessar o lago desta forma:

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Copacabana é, além de Puno, umas das principais cidades nas margens do lago. No lado boliviano é um excelente local de paragem para quem gosta de relaxar e para quem quer visitar a Isla del Sol e Isla de la Luna. Não se surpreenda se encontrar por cá comida estranha, muita coisa vegetariana e muitos, muitos “hippies”. Afinal, há que diga que TIticaca é o segundo chakra da terra.

Neste “mar” gigantesco existem diversas praias e mais de 40 ilhas. As ilhas mais conhecidas, do lado peruano, são as ilhas de Amanti, Taquile e a ilhas flutuantes dos Uros. Do lado Boliviano, sem dúvida a ilha mais conhecida é Isla del Sol, onde também andámos na nossa viagem pela América do Sul.

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1 – um magnífico Pôr do Sol na baía de Copacabana, na Bolívia; 2 – Copacabana vista do alto do cerro “El Calvario”

O Lago Titicaca é muito importante para o povo dos dois países, foi aqui que nasceu a civilização Inca. Por este motivo, quer nas ilhas do lago, quer nas suas margens existem diversos sítios arqueológicos, lugares com uma enorme importância para a história da Humanidade.

O lago Titicaca é abastecido pela água das chuvas e do degelo da neve que vem das montanhas do altiplano, da cordilheira. Para os povos indígenas dos dois países, as montanhas também são consideradas sagradas.

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Bem, mas de certeza que muito de vocês já se perguntaram, mas afinal o que significa “Titicaca”? Nós fizemos essa pergunta dezenas de vezes, ouvimos falar que tinha a forma de um puma e de um coelho, ouvimos muitas histórias. Mas, diz-nos, na verdade, o que nos diz a lenda é:

Conta-se que há muito tempo atrás a região de Titicaca era um vale bastante fértil, habitado por homens que viviam felizes e tranquilos. Nada lhes faltava. Nesta terra não se conhecia nem a morte, nem o ódio, nem a ambição. Os Apus, os deuses das montanhas, protegiam a todos. Contudo, os Apus impuseram apenas uma proibição: nada, nem ninguém deveria subir as montanhas, onde estava acesso o “fogo sagrado”.

Durante muito tempo não passava pela cabeça dos homens  desrespeitar esta regra simples. Mas o demónio, espírito maligno, condenado a viver na repleta escuridão, não suportava ver a felicidade e tranquilidade com as quais os homens viviam no vale. Coberto de inveja, começou a semear a discórdia, pedindo.lhes que provassem sua coragem e fossem buscar o “fogo sagrado” nas montanhas.

Então, num belo dia pela manhã, os homens dirigiram-se às montanhas, mas no meio do caminho foram surpreendidos pelos Apus. Os homens haviam desobedecido à única regra e deveriam ser exterminados. Milhares de pumas saíram das cavernas e devoraram os homens. Vendo isto, Inti, o deus do sol, começou a chorar. As suas lágrimas eram tão abundantes que em quarenta dias inundou todo o vale. Apenas um homem e uma mulher conseguiram salvar, sobre uma barca de junco.

Quando o sol brilhou novamente, o homem e a mulher não conseguiam acreditar no que seus olhos viam: abaixo do céu azul estava um lago imenso e límpido. No meio de suas águas flutuavam os pumas, afogados e transformados em estátuas de pedra.

Chamaram então o lago Titicaca de “o lago dos pumas de pedra”.

Mas agora, vejam lá se  o lago visto de cima não parece ter a forma de uma puma e de um coelho?

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