Alto Douro Vinhateiro, Guarda, Património da Humanidade, Percursos Pedestres, Portugal

Percurso Pedestre pelas margens do Rio Côa

26/03/2016

Com a Primavera à porta, as paisagens a mudarem de cor e os dias a tornarem-se mais longos, é hora de tirar as botas do armário, despir os casacos de inverno, e colocarmos os pés na estrada.

Há uns dias, juntamente com um grupo de amigos, participámos numa das caminhadas organizada pela Associação Rodeiras de Xisto, num trilho que nos levou pelas margens do Rio Côa, desde Vila Nova de Foz Côa até a Castelo Melhor.

O percurso é extraordinário, as paisagens são inesquecíveis e o S. Pedro ainda deu uma ajudinha. Este é um excelente percurso para, não só para apreciar as lindíssimas encostas do Rio Côa e as amendoeiras em flor, mas também os campos de vinhas e oliveiras que são presença constante ao longo do trajeto.

O Percurso do trilho 

Esta é apenas uma sugestão com base na caminhada realizada, mas como gostámos tanto do percurso queremos aqui partilhá-lo convosco. O percurso, embora sendo de distância considerável, não podemos dizer que seja de alto grau de dificuldade. São perto de 17km. Não se assustem, afinal a beleza da paisagem parece que os torna mais curtos. Vai ver, não custa nada.

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Saímos de Vila Nova de Foz Côa por veredas que nos levam até ao alto. Cá de cima começa a vislumbrar-se um vulto que emerge entre os monte. Um gigante de betão, quase imperceptível na paisagem. O museu do Côa é a porta de entrada ou saída para um dos mais ricos patrimónios arqueológicos do mundo: a arte rupestre do vale do Côa.

Amedoeiras - Rio CoaPassamos ao largo, ladeados por dezenas de amendoeiras em flor. Entretanto, já se vê o Côa que corre tranquilo, perdão, o Côa e o Douro. Sim, porque lá ao fundo os dois fundem-se e as suas águas juntam-se em direção ao mar.

Amedoeiras - Rio Coa_foz

Depois da ponte, cortamos à direita por caminhos paralelos ao rio, mas contra a sua corrente. Vimos a sua foz, mas agora vamos em direcção à nascente. Subimos, outra vez. Aqui o vale é encaixado. Há betão espalhado pelas encostas do rio, betão que aqui é sinal de vitória. Vitória do povo, vitória dos que travaram a construção de uma barragem que, de forma irremediável, destruía um património único, que não é nosso, mas sim da Humanidade.

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Pois progresso também é isto. Proteger o passado, a nossa história, a nossa paisagem… e conviver salutarmente com ela.

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Depois de circularmos paralelos ao rio por alguns km, chegou a hora de subirmos as suas encostas. Agora caminhamos nos socalcos antigos, repletos de espargos selvagens e troncos de oliveiras quase abandonadas. na-companhia-do-coa-24

Bem, e conforme subimos, aparece-nos isto, sim, esta paisagem enche-nos as medidas.
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O sol está a pique e uma luz bastante dura quando atingimos um dos pontos mais altos (quer em altura, quer em beleza). O Côa corre ao fundo num vale agora menos encaixado e tem por companhia aquele que para muitos é o nécter dos deuses. Daqui temos uma perspectiva gigante sobre a Quinta da Ervamoira. Nos mais 150 ha de vinha que variam entre os 110 m e os 340 m de altitude nascem muitos vinhos de alta categoria, entre eles os famosos Ramos Pinto.

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Conforme nos aproximamos de Castelo Melhor, a paisagem enche-se de oliveiras, estas bem tratadas. Há pombais espalhados pelos olivais.

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Chegamos por fim. Os caminhos rurais abrem-se em par e mostram-nos, altivo, o castelo de Castelo Melhor.

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Castelo Melhor é uma pequena aldeia rural, contudo apresenta um património de gravuras rupestres incomparável, de grande interesse e importância, nomeadamente nos núcleos da Broeira, da Fonte Frieira, de Meijapão, de Penascosa, do Vale dos Namorados, da Canada da Moreira e da Canada do Amendoal.

Não saia de Castelo Melhor sem visitar as suas muralhas, claro. Ah! Tem de subir ao Miradouro de S. Gabriel para vistas fantásticas.

Castelho Melhor-1

Foram 17 km de uma beleza surpreendente. Ficamos encantados com as vistas do vale do Côa, com a quantidade de espargos selvagem que vimos pelo caminho e, acima de tudo, porque fotografámos um dos lugares que há muito está no nosso TOP da região do Douro: a quinta da Ervamoira.

Fotografias do percurso nas margens do Rio Côa

Se quiser dar uma olhadela nas fotos que tirámos quando andámos a percorrer estes trilhos, estão todas aqui num álbum do Google Photos.

Filme

Também fizemos um pequeno filme que está no nosso canal do Youtube. Aproveitem e subscrevam o canal!

Informações Técnicas sobre o Percurso

  • O percurso não está marcado, por isso sugere-se máxima atenção ao mapa e se possível levar o track no GPS. (Descarregar o Track em GPX – Visualizar no Google Mapas)
  • No total são cerca de 17km. No mínimo são necessárias 5 horas, num trilho com grau de dificuldade média, acima de tudo pela distância e umas poucas subidas mais acentuadas.
  • Um dos maiores entraves a este percurso deve-se ao facto de não ser circular. Logo é importante providenciar transporte de Castelo Melhor de regresso a Vila Nova de Foz Coa (De Castelo Melhor a Vila Nova de Foz Côa, são cerca de 13 km)

Mapa_final_caminhada_coa_2

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Comentários

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2 Comments

  • Reply Catarina 27/03/2016 at 08:39

    Parece-me um percurso bem bonito e interessante! Talvez um dia o faça.

    Adorei as fotografias, estão fantásticas.

  • Reply Daniela Lopes 06/03/2017 at 18:08

    Olá ,
    Sou caminheira e pretendia fazer este trilho no final deste mês , mas precisava de algumas informações extras, tais como :
    se existe alojamento perto dos trilhos , restaurantes locais para jantar e se existe transportes publicos para me deslocar de um trilho para outro visto que não vou de transporte próprio .
    Obrigada por qualquer informação que me seja dada.

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