Guarda, Percursos Pedestres, PN Serra da Estrela, Portugal

Nave da Mestra, a pureza da Serra da Estrela

29/05/2016

A Nave da Mestra é daqueles lugares bem escondidos nas entranhas da Serra da Estrela, mas que leva o troféu dos lugares mais bonitos e mágicos do planalto.

Há vários caminhos, trilhos e formas de chegar à Nave da Mestra. Podemos chegar à Nave da Mestra por exemplo através da “Rota do Carvão” – PR4 ou da “Rota do Maciço Central” – PR5 MTG. Nós fizemos de forma diferente. Aproveitámos a caminhada que fizemos em conjunto com o Grupo de Caminheiros da Covilhã e seguimos da Lagoa Comprida até ao famoso Covão dos Conchos, como já falámos aqui no blog, e daqui até à Nave da Mestra. No total foram cerca de 16 km (ida e volta).

Bem, mas vamos lá. Da Lagoa Comprida até ao Covão dos Conchos, é só ler o nosso relato bem detalhado. E foi mais ao menos daqui que partimos até à Nave da Mestra. Quando se começa a ouvir o rugido das águas tumultuosas da Ribeira das Naves, sabemos que estamos perto da lagoa do Covão do Conchos. Logo a seguir dois trilhos entrecruzam-se. O da esquerda leva à lagoa. Viramos à direita para a Nave da Mestra.

Calcamos lentamente os “sapais”, com cuidado, para que não nos engulam as gigantescas poças de água cristalina que se formam entre a erva verdejante. Seguem-se as mariolas que entre o nevoeiro mostram o caminho ao viajante. Por fim, o sol que está quase no zénite, aquece o alto da serra aquece e o nevoeira lá se dissipa. Entre a urze e o zimbro rastejante, surge, ao longe, o Cântaro Gordo.

Sapais e MariolasZimbro e Cantaro MagroCampos de zimbro, mariolas e lagoas… eis a paisagem que circunda o Cântaro Gordo.

Depois de 8 km, subidas e descidas, sol, frio e nevoeiro, chegamos lá. Estamos 1700 metros de altitude e diante de nós abre-se uma nave gigantesca, de campos verdes ladeados por blocos graníticos fracturados que, a sério, metem mesmo medo. Ao fundo, há um pequeno riacho que dá um ar bucólico a toda a cena. Bem, mas sejam Bem-Vindos à Nave da Mestra.  

Aqui no cimo do penedo, paramos um bom bocado. Sentimos o vento agreste que nos bofeteia a cara com vigor. Ao fundo vê-se bem a depressão do Vale Glaciar e sabemos que à direita, metido entre “cântaros” está o Covão da Ametade.

Nave da Mestra - Serra da Estrela-sergio e sandraA Sandra e o Sérgio apreciando os altos e baixos da Estrela da Estrela.

A Nave da Mestra é também conhecida como Nave da Barca devido ao grande penedo que se por lá se pode observar e que tem a forma de um barco.

A Nave da Mestra serviu, desde idos tempos, como abrigo a pastores e seus rebanhos. Hoje, além dos pastores abriga também montanheiros que aqui se refrescam e retemperam forças.

caminhada nave da mestra - serra da estrela
A fenda da Nave da Mestra. A pequena casa do Dr. e a rocha em forma de barco

Mas há uma construção que chama à atenção e que destoa nesta explosão de natureza. Reza a história que um Juiz, o Dr. Matos, construiu ali a sua casa de férias de Verão em 1910. A sua construção foi concretizada pela mão-de-obra vinda de Manteigas em cima de mulas por um caminho que ainda hoje existe, ajudada por macacos hidráulicos utilizados para levantar as gigantes pedras, incluindo aquela que faz de telhado à casa. A obra foi abandonada à sua sorte…

Mas para chegar à nave, quem vem do lado de cima tem de atravessar uma fenda gigantesca que se abre de cima a baixo do penedo, sobranceira à casa do Dr. Juiz.

Há ainda uma curiosidade, diz-se que por estas bandas, neste lugar isolado, se reuniram muitos republicanos nas suas lutas contra o regime monárquico.

Já cá baixo, tiramos a merenda da mochila e aproveitamos o sol que agora já aquece bem. Há um riacho cujas águas convidam a um mergulho. Se andar por estas bandas no Verão, não se esqueça do fato de banho 🙂

Nave da Mestra - Serra da Estrela-1

Energias retemperadas, fazemos o caminho de regresso à Lagoa Comprida. As mariolas indicam o caminho enquanto o GPS vai contando os Kms.  caminhos - Nave da Mestra

serra da estrela - lagoa compridaA Lagoa Comprida, o início e o fim da nossa caminhada.

Informação útil / Dicas:

  • Como já referimos no início, começamos a caminhada na Lagoa Comprida, passamos pelo Covão dos Conchos e terminámos na Nave da Mestra (no final há que fazer o caminho de regresso).
  • No total, ida e volta com passagem pelo Covão dos Conchos, são cerca de 16 km. NOTA: Ver o percurso até ao Covão dos Conchos aqui!
  • Grande parte do percurso foi feito em zona sem trajecto marcado pelo que é imperioso seguir o trilhos GPX que partilhamos. A vantagem deste percurso é que podemos ir ao Covão dos Conchos e à Nave da Mestra no mesmo trilho.
  • Mais uma vez, embora o trajeto não ofereça grande dificuldade, é necessário ter atenção que o tempo na Serra da Estrela muda muito rapidamente. Com nevoeiro cerrado podem surgir dificuldades de localização. Além do mais, mesmo no Verão, não descurar uma peça de roupa mais quente.

Mapa_Nave da Mestra

Deixamos aqui o mapa do trajeto. Pode também consultar o mapa no Google Maps ou descarregar em GPX.

Nota: A caminhada foi realizada em Maio de 2015, em conjunto com o Grupo Caminheiros da Covilhã

Comentários

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3 Comments

  • Reply Filipe Mendonça 16/09/2016 at 19:27

    “Já cá baixo, tiramos a merenda da mochila e aproveitamos o sol que agora já aquece bem. Há um riacho cujas águas convidam a um mergulho. ”

    … precisava de encontrar esse riacho mas não dou com ele… há hipóteses de me orientarem o local exacto? 🙂

    Obrigado! E gostei muito do vosso blog!

  • Reply Anonymous 19/09/2016 at 19:50

    “Já cá baixo, tiramos a merenda da mochila e aproveitamos o sol que agora já aquece bem. Há um riacho cujas águas convidam a um mergulho.”

    Conseguem dizer-me exactamente onde fica o riacho?
    🙂

  • Reply Covão dos Conchos | Serra da Estrela 21/06/2017 at 16:58

    […] Algo nos diz que estamos perto, já se ouve o rugido das águas tumultuosas da Ribeira das Naves, não tarde estamos na lagoa. À nossa frente dois trilhos entrecruzam-se. O da direita, seguindo por sapais e campos de zimbro rasteiro, leva-nos à Nave da Mestra, outra joia bem reservada da nossa Serra. […]

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