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Passadiços do Orvalho e Fraga de Água d’Alta

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Os Passadiços do Orvalho, no concelho de Oleiros, são um dos mais recentes passadiços construídos no país. É um percurso exigente, com duas ou três subidas de deixar as pernas doridas, principalmente se levamos às costas um rapaz de 13kg. Esta zona era-nos completamente desconhecida, apenas o nome nos soava a algo. Nem o facto de ter a cascata mais alta da Beira Baixa tinha feito com que lá tivéssemos ido mais cedo.

Passadiços do Orvalho e Cascata da Fraga de Água d'Alta.
OS passadiço do Orvalho no troço de acesso à cascata

Bem, como nunca é tarde para nada, e estávamos a precisar de espairecer do confinamento, o facto de recentemente terem sido construídos estes passadiços foi o mote perfeito para explorarmos a zona na primeira saída de passeio depois de mais de dois meses a caminhar ao redor de casa.

Os passadiços inserem-se no Percurso Pedestre PR3 OLR – GeoRota do Orvalho (temos toda a informação abaixo), um percurso que, inserido no território Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, nos permite a visita a diversos geomonumentos classificados pela UNESCO que existem na freguesia de Orvalho. O mais famoso destes geomonumentos é sem dúvida a Cascata da Fraga de Água d’Alta.

O  Vale da Fraga de Água D’Alta foi um dos sítios mais sacrificados pelos grandes incêndios de 2017, tendo sido alvo de reabilitação recente no âmbito de um projecto que pretende trazer nova vida aos pontos do concelho de Oleiros varridos pelo fogo impiedoso.

Vista dos Passadiços do Orvalho

Parte substancial do trilho corre o Vale das Fragosas, paralelo ao Ribeiro de Água de Alta. Por isso, o troço depois da cascata é bem fresco, com sombras e tendo sempre o ribeiro por companhia. Contudo, quando deixamos a berma do ribeiro e começamos a subida, é importante irmos protegidos e hidratados.

Nós chegámos ao Orvalho a meio da tarde, com o sol de primavera a pique e a queimar. Apenas dois ou três carros se alinhavam na berma da estrada ao pé do acesso aos passadiços. Com um final de tarde a adivinhar-se quente, voltamos à povoação para nos abastecermos de água. É fundamental levar muita água e lembrem-se que no verão esta zona é fustigada pelo intenso calor pelo que nunca é demais aconselhar a proteção solar e a hidratação.

Os principais pontos de interesse a não perder ao longo dos Passadiços do Orvalho:

☑ Cascata da Fraga de Água d’Alta

O lugar mais famoso por estas bandas é sem dúvida a Cascata da Fraga de Água d’Alta, que é o grande chamariz de gente ao Orvalho, principalmente no Verão. Com mais de 30 metros, é a maior cascata da Beira Baixa.

Cascata da Fraga de Água d'Alta nos Passadiços do Orvalho
os novos Passadiços do Orvalho permitem aceder diretamente à Cascata da Fraga de Água d’Alta

Os 30m de desnível precipitam a água do ribeiro de Água de Alta com turbulência e estrondo na pequena lagoa que se forma no fundo. Depois, entre o rio corre pachorrentamente entre matas de folhados, azereiro e amieiros.

Cumpridas as regras de distanciamento social, os dias quentes de verão são uma desculpa para apreciar da água fresca que se acumula na lagoa e terminar ou iniciar em grande a caminhada.

A cascata situa-se bem perto da estrada e agora tem um passadiço que nos leva direitinho à lagoa (ver no mapa)

Passadiços do Orvalho
Passadiço para aceder à Cascata da Fraga de Água d’Alta

☑ Miradouro do Mosqueiro

No topo do Penedo das Sardas, a mais de 600 metros de altitude, e a 300 m acima da Garganta do Zêzere, situa-se o Miradouro do Mosqueiro, de onde temos as melhores vistas para o Orvalho e toda a paisagem circundante.

Daqui, podemos facilmente ver a Serra da Gardunha e a Serra da Estrela, os alinhamentos quartzíticos da serra do Moradal e dos Penedos de Góis, os espetaculares meandros do rio Zêzere, a serra de Açor, Lousã, etc… razões não faltam para ir até lá cima.

Zona de lazer no Miradouro do Mosqueiro
Os novos passadiços do Orvalho permitem aceder ao Miradouro do Mosqueiro
Os novos passadiços do Orvalho permitem aceder ao Miradouro do Mosqueiro

Para aceder ao miradouro existe uma estrada, do lado direito, no início da povoação, quando vimos do Fundão. Lá em cima, existe parque para automóveis, mesas e grelhadores para o repasto merecido depois da caminhada. A melhor forma de ir até lá é subir pelo recém construído passadiço. Podemos deixar o carro na berma da estrada e fazer um belo passeio até lá cima. Vejam só estas vistas…

Vista panorâmica dos Passadiços do Orvalho e alinhamentos quartzíticos
Vista panorâmica dos Passadiços do Orvalho e alinhamentos quartzíticos
Aldeia do Orvalho, vista desde o Miradouro do Mosqueiro.

☑ Vegetação ao longo do ribeiro de Água de Alta

Como já referimos, parte do percurso faz-se por pequenos trilhos e veredas ao longo do curso do ribeiro de Água de Alta, onde podemos observar diveras espécias de plantas e árvores, olhados, azereiro e amieiros.

Qual a melhor forma de visitar os Passadiços do Orvalho?

Os passadiços inserem-se no Percurso Pedestre PR3 OLR – GeoRota do Orvalho (descarregar o ficheiro com o percurso). Portanto, se decidirem fazer este percurso, percorrerão toda a extensão dos passadiços.

Caso optem por fazer apenas a parte do trilho que tem passadiços, saibam que começam ao pé do acesso à cascata da Fraga de Água d’Alta e terminam no Miradouro do Mosqueiro. É importante que tenhamos alguém para nos recolher e trazer ao ponto de origem, ao pé da cascata.

Se forem com crianças, a nossa sugestão é que façam apenas a zona envolvente da cascata e depois subam ao miradouro do Mosqueiro.

A parte mais visitada é, sem dúvida, a zona envolvente da cascata da Fraga de Água d’Alta e a parte do trajeto que leva até ao Miradouro do Mosqueiro, onde temos uma panorâmica fabulosa sobre a povoação de Orvalho e toda a paisagem envolvente.

o Sérgio com o Simão às costas nos Passadiços do Orvalho
o Sérgio com o Simão às costas nos Passadiços do Orvalho

Antes do acesso ao miradouro, do lado esquerdo da estrada, os passadiços percorrem um afloramento rochoso ao estilo do “caminito del rei”, que é imperdível.

Os passadiços, para os mais aventureiros, e como já referimos, podem ser incluídos no PR3 OLR – GeoRota do Orvalho. É um percurso com cerca de 9 km, mas com subidas bem acentuadas e centenas de escadas, mas vai valer a pena.

Pontes nos Passadiços do Orvalho

Depois da cascata, o percurso corre paralelo ao Ribeiro de Água de Alta por um caminho. De vez em quando aparecem pequenas pontos para permitir ultrapassar obstáculos ou atravessar o rio e até quem sabe molhar os pés em jeito de tónico refrescante.

Muitos leitores têm-nos questionado acerca do valor a pagar para aceder aos passadiços. Neste momento, em junho de 2020, não há qualquer restrições no n.º dos acessos, nem é necessário o pagamento de qualquer taxa para poder percorrer os passadiços ou aceder à casca.

As últimas chuvas deixaram algumas pontes danificadas, contudo, com cuidado é possível percorrer o trilho sem nenhum problema (um pé na água, neste calor de Verão, até vem a calhar).
É claro um percurso impossível de fazer com carrinhos de criança, mas para se aventurarem com alguma numa mochila ou porta bebés preparem-se para a extrema dificuldade do percurso.

Passadiços do Orvalho com estragos

Informações gerais sobre o PR3 – Oleiros

Informação técnica:

  • Nome do percurso: PR 3 OLR – GeoRota do Orvalho
  • Localização do percurso: Orvalho, Concelho de Oleiros (ver mapa)
  • Tipo de percurso: Linear / Pequena Rota
  • Ponto de partida/Chegada: Junta de Freguesia do Orvalho e Miradouro do Mosqueiro, respectivamente.
  • Distância percorrida: 8,9 Km
  • Duração do percurso: 3h30m
  • Grau de dificuldade: médio
  • Aconselhável a crianças e bebés? Não. Aconselhável apenas no troço circundante à cascata. Se quiser, pode ainda subir ao miradouro de carro ou a pé, neste caso prepare-se para subir umas centenas de escadas, se for pelo passadiço.
Passadiços do Orvalho, no Fundão

Onde comer no Orvalho

O Orvalho não tem muitas opções de restaurantes, melhor, só encontrámos um, o muito conhecido “Pérola do Orvalho”. O restaurante situa-se na entrada da povoação ao pé das bombas de combustível. É um restaurante com bons pratos tradicionais. Contudo, devido à elevada afluência de pessoas aos passadiços e a pouca oferta de restaurantes, prepare-se para longas esperas.

Mais fotos dos Passadiços do Orvalho

os meus trilhoshttp://osmeustrilhos.pt
Olá, somos o Sérgio e a Sandra (e agora também o pequeno Simão). Costumamos dizer que "somos viajantes a tempo inteiro e juristas nas horas vagas". Mas somos, acima de tudo, apaixonados pelo mundo, pelas viagens... sejam elas curtas ou longas. É da Guarda, a cidade dos cinco f's e por sinal a mais cidade mais alta, que procuramos abolir fronteiras. Com mochila às costas e botas calçadas venham connosco, entrem em autocarros apinhados, comboios eternos e estradas lamacentas… Tudo sobre nós >>>

14 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde Alexandre
    Desculpe incomodar….estou a pensar em realizar esta caminhada dos passadiço do orvalho, mas tenho lido varias coisas e como sou inexperiente neste tipo de passeios gostava de lhe fazer 2,3 perguntas e se puder responder seria uma grande ajuda para mim…..
    1º Vejo que o ponto de partida não é o mesmo que chegada, certo ? Como voltou ao ponto de partida ?
    2º Sou eu , a minha mulher e a minha filha de 11 anos. Acha pesado para ela ? Vamos para todo o dia, sem pressas…
    3º Quando foi lá ? pois vi na SIC a noticia que agora está tudo recuperado.
    Muito obrigado e desculpe o incomodo.

    • Olá Alexandre,
      Obrigado pelo seu comentário.
      Em relação às perguntas, 1) o ponto de partida não é efetivamente o de chegada, obrigando a fazer o resto do caminho a pé (mais uns kms) ou a ter alguém que faça a recolha, p.ex., no miradouro do mosqueiro. 2) Os passadiços são exigentes do ponto de vista físico para uma criança de 11 anos. A nossa sugestão é que estacione perto da cascata, passeio pela zona e depois volte a estacionar à entrada da aldeia e suba até ao Miradouro do Mosqueiro e regresse. É mais leve, desta maneira, e permite usufruir das partes mais bonitas dos Passadiços do Orvalho. 3) Fomos lá no final de Maio, já com os passadiços recuperados dos fogos que assolaram a zona e duas ou três semanas antes da reportagem a que se refere. Depois da cascata, um pouco mais abaixo, há umas pontes que estão um pouco destruídas, com referimos no artigo, no entanto a passagem continua a ser possível. No entanto, se optar por visitar apenas a zona da Cascata e do Miradouro, os passadiços estão impecáveis.
      É só desfrutar 🙂 Um abraço. Alguma dúvida, disponha.

  2. Este artigo fez-me sentir tentado em ir lá. Possivelmente será já o próximo domingo uma vez que o fim de semana ainda vai ser um pouco preenchido com trabalho. Agradecido pela partilha

  3. Ola,
    Obrigada pela vossa partilha Sérgio, Sandra e Simão 😉 Desconhecia por completo estes passadiço e parecem valer muito a pena. Tenho uma dúvida, pelo que percebi o trilho não é circular, começa perto da Junta de Freguesia de Orvalho e termina no tal miradouro, mas é possível a à partir do miradouro regressar a pé ao ponto inicial? Quantos km teremos ainda que fazer nesta opção? Obrigada

    • Olá Catarina,
      Obrigado pela visita. Efetivamente, o trilho não é circular. O percurso termina no Miradouro do Mosqueiro e é possível sim regressar à Junta de Freguesia, o ponto inicial. São cerca de 1,5 km mais, mas sempre a descer 🙂
      Obrigado.

  4. Olá a todos,

    Estou a pensar fazer o passadiço em breve. Qual é o preço do percurso por pessoa? irei nas primeiras semanas de Julho. Já agora, outra questão. Qual o melhor local para deixar o carro para retornar ao mesmo após fazer o trilho completo. Se não existir essa possibilidade, existe serviço de taxi na zona?

    Grato pela vossa atenção

    Luís Sousa

    • Olá Luís,
      Boa tarde. Atualmente a entrada nos passadiços do Orvalho é livre, não é necessário o pagamento de qualquer valor. Que saibamos, ainda não existe qualquer serviço de taxi na zona. Pode deixar o Carro perto da Junta de freguesia, onde começa o percurso. Como o percurso termina no Miradouro, terá de regressar à zona da junta a pé (são mais 1,5km/aprox.)
      Alguma dúvida, disponha.
      Até já.
      Sérgio

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Olá, somos o Sérgio e a Sandra (e agora também o pequeno Simão). Costumamos dizer que "somos viajantes a tempo inteiro e juristas nas horas vagas". Mas somos, acima de tudo, apaixonados pelo mundo, pelas viagens... sejam elas curtas ou longas. É da Guarda, a cidade dos cinco f's e por sinal a mais cidade mais alta, que procuramos abolir fronteiras. Com mochila às costas e botas calçadas venham connosco, entrem em autocarros apinhados, comboios eternos e estradas lamacentas… Tudo sobre nós >>>

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