Inicio Blog Página 2

Convento de Santa Maria de Aguiar | Fig. Castelo Rodrigo

Hoje vamos até bem perto da Guarda, até terras de Riba Côa. Vamos visitar o Convento de Santa Maria de Aguiar.

O dia estava bem quente, destes dias típicos de estio na beira. Saímos da Guarda ainda cedo, passamos pela aldeia do Colmeal, a aldeia abandonada de que vos falámos noutra altura e seguimos para Figueira de Castelo Rodrigo.

Situado a cerca de 3 km de Figueira de Castelo Rodrigo, o convento de Santa Maria de Aguiar é um excelente exemplar da arquitetura cisterciense.

Convento de Santa Maria de AguiarVista do Convento de Santa Maria de Aguiar, em Figueira de Castelo Rodrigo

Recebeu-nos o Sr. Luís, funcionário municipal, que com um amor notório à terra e ao património, nos foi guiando lentamente pelo recantos e histórias do “convento”. E começamos pela primeira curiosidade. Embora seja conhecido como “convento”, era na verdade um mosteiro, pois a regra vigente era do tipo monacal (exercida por monges) que  viviam e trabalhavam em locais afastados dos povoados.

O Convento de Santa Maria de Aguiar foi mandado edificar em 1174 por D. Afonso Henriques, que o doou aos beneditinos transitando, posteriormente para a Ordem de Cister. Foi declarado Monumento Nacional desde 1932.

Hoje o convento está reconstruído e grande parte do complexo visitável, mas nem sempre foi assim.

O Sr. Luís, percorrendo a história do convento, foi-nos falado das vicissitudes que o mesmo viveu. Foi abandonado, saqueado pelos franceses, sobreviveu aos declínio das ordens religiosas, mas foi abandonado outra vez, vendido em hasta pública,tomado pelos grandes senhores da terra e mais tarde adquirido pelo município que o recuperou…

Convento de Santa Maria de Aguiar

Vagueamos lentamente pelos marcos da nossa história. Seguimos da Igreja para a sacristia, para o Capítulo e para o lugar que albergou outrora um imponente claustro, dizem com três andares. Segundo os estudiosos, a Igreja de Santa Maria de Aguiar é hoje provavelmente a mais pura e bem conservada das igrejas da Ordem de Cister existentes em Portugal e uma das mais exemplares de toda a Europa, integralmente restituída à sua traça primitiva.

Convento de Santa Maria de Aguiar_2

Ficámos a perceber que nem todo o complexo é propriedade do Município. Há uma parte substancial, nomeadamente o alçado norte onde se situou o claustro e onde se situa ainda a sala do capítulo, que continua a pertencer a privados. A sala do capítulo, que continua na esfera privada e talvez uma das partes mais bonitas do complexo, está num estado lastimável… a necessitar de intervenção urgente, sob pena de perdermos um património riquíssimo.

Alguns metros antes de chegarmos ao Convento de Santa Maria de Aguiar encontra-se o edifício que outrora serviu de Hospedaria, sendo destinado aos visitantes eclesiásticos e aos leigos de alta categoria social. A Hospedaria do Convento encontra-se integrada no complexo histórico de Sta Maria de Aguiar. Hoje é um hotel, com tudo o que é necessário para passarmos uns dias de relaxamento e descanso, mesmo encostados ao Parque Natural do Douro Internacional.

Por outro lado o convento alberga no seu interior uma colónia de morcegos protegida que das suas traves fizeram os aposentos mais requintados e confortáveis das redondezas. Durante a noite animam o local, descansando o resto do dia indiferentes aos visitantes.

Dicas para visitar o Convento de Santa Maria de Aguiar

  • Preço: a entrada no Convento custa 1€
  • Localização: EM 607 – Santa Maria de Aguiar | 6440-032 Figueira de Castelo Rodrigo. Localização no GoogleMaps
  • Onde ficar: pode ficar na Hospedaria do Convento d’Aguiar ou num dos diversos Hotéis na zona de Figueira de Castelo Rodrigo . Se decidir reservar a sua estadia na Hospedaria do Convento d’Aguiar ou em qualquer outro hotel de Figueira de Castelo Rodrigo, faça-o através dos seguintes links. Você não vai pagar mais nada por isso e o blog recebe do Booking uma pequena percentagem… Obrigado.
  • Geocaching: Há diversas caches na redondeza para se divertir

Santa Maria de Aguiar

Usando os links abaixo para planear a sua viagem está a ajudar “Os Meus Trilhos” e você não paga nada a mais por isso…

Como tratar do visto para a Turquia

Como tratar do visto para a Turquia? É cada vez mais fácil tratar de visto de entrada em grande parte dos países.

Se há alguns anos a viagem para um país fora da União Europeia implicava quase sempre idas e esperas intermináveis em consulados e embaixadas, preenchimento de papelada, fotografias e esperar que fosse aprovado o visto. Hoje, são cada vez mais os países que permitem tratar de toda a “burocracia” através da internet.

A Turquia é um destes países.

O processo de requerer um visto de entrada na Turquia é bem simples e pode ser tratado todo online no site do Governo Turco – Eletronic Visa Aplication System, em https://www.evisa.gov.tr/en/.

Levou-nos não mais de 10 minutos a tratar do visto para a Turquia para os dois.

Visto para a Turquia

O processo não pode ser mais simples:

Basta aceder online ao site www.evisa.gov.tr/, seleccionar a data de entrada na Turquia e preencher o formulário com os nossos dados pessoais. No final do processo e de confirmarmos os dados é-nos enviado um email para procedermos à confirmação (se o email não chegar nos minutos seguintes, confirme no lixo eletrónico). Ao confirmarmos, clicando na opção no email, somos remetidos novamente para o site onde fazemos o pagamento através de cartão de crédito (18€) e pronto, está o visto tratado.

É só imprimir e… Boa viagem!

Perguntas e Respostas sobre o Visto para a Turquia
  • Qual o preço do visto para a Turquia?

Se tratar do visto online custa 17€ mais 1€ de despesas de administração (18€ no total)

  • Com que antecedência deve querer o Visto?

Pode requerer o visto para a Turquia em qualquer altura, contando que o faça, de acordo com as normas do e-visa, até 48h antes da viagem.

  • Qual a validade do Visto?

O visto é válido por 180 dias a partir da data de entrada indicada no mesmo. A validade começa a contar no dia indicado no visto e não no dia da primeira entrada.

  • Quantas vezes posso ir à Turquia com o mesmo Visto?

O Visto permite entradas múltiplas na Turquia. Tem apenas de ter em atenção a validade do mesmo.

Toda a informação consta do site oficial em www.evisa.gov.tr/en/info/

Que visitar na Ilha do Sal | Viagem a Cabo Verde

“No stress”, dizem-nos mal chegamos à Ilha do Sal, esta é a ilha da “morabeza” e, a verdade é que quem cá vem, vem para relaxar e desfrutar das praias.

À saída do aeroporto internacional do Sal alinham-se os táxis à espera dos turistas. Mais abaixo dezenas de autocarros das mais prestigiadas operadoras turísticas esperam as centenas ou milhares de turistas provindos do norte da Europa e que escolhem as terras quentes e a morabeza de Cabo Verde para uns dias de relaxe.

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-1O pontão na pequena cidade de Santa Maria onde cabo-verdianos e turistas se juntam na pesca

E relaxar é o mote nesta ilha. Uma ilha pequena, praias de areia branca e uma água morna, são as condições necessárias para uns belos dias de “dolce fare niente”… por isso não é de admirar que grande parte dos turistas e viajantes passe os dias nos resorts all included e esparramados nas praias e espreguiçadeiras que se estendem nas frentes dos hotéis em Santa Maria.

A morabeza é algo que até os cabo-verdianos têm dificuldade em definir (como a palavra saudade em português). “Morabeza” exprime um sentimento tipicamente cabo-verdiano e talvez seja esta a palavra crioula que mais se identifica com o espírito deste povo, uma filosofia muito própria de um povo afável que tem na forma de receber a sua principal característica e que encontra nas Ilhas do Sal e de S. Vicente o seu mais sentido significado.

Sabíamos que em último caso teríamos de alugar um táxi até ao Hotel Pontão, no centro de Santa Maria, a pequena cidade turística da ilha do Sal. Mas, como a sorte estava do nosso lado, lá conseguimos convencer um condutor de aluguer a levar-nos ao hotel, pela módica quantia de 500 escudos, poupamos em relação ao táxi e fez exactamente o mesmo serviço.

Estávamos cansados depois de subirmos ao Vulcão do Fogo, mas, mal chegámos, deixámos as mochilas no hotel, mergulhamos o pé na piscina para sentir a temperatura da água e pusémos-nos a explorar a cidade de Santa Maria.

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-14

Tínhamos dois dias inteiros e uma tarde para aproveitar as maravilhas da Ilha do Sal. Por isso, decidimos que o dia seguinte ia ser dedicado à exploração da ilha (ver mais abaixo o que visitar na ilha) e assim podíamos aproveitar o último dia para relaxar na praia e fazer umas caminhadas à beira mar, pela manhã.

Existem várias hipóteses para dar a volta à Ilha do Sal e calcorrear os seus caminhos poeirentos. Depois de sondarmos o preço dos táxis para nos levar durante meio dia aos pontos mais importantes e marcantes da ilha, decidimos contratar um tour que, além de mais barato, ainda tens um guia para te dar umas dicas ao longo do percurso.

Primeiro vamos dar-vos umas dicas do que visitar em Santa Maria e depois vamos estender as dicas a toda a ilha do sal e indicar-vos o que visitar, ver e apreciar no Sal. Comecemos então, pela cidade de Santa Maria.

O que fazer em Santa Maria (Ilha do Sal) 

Basicamente, a Ilha do Sal para os estrangeiros é Santa Maria. É aqui que se concentram quase a totalidade dos hoteis, resorts, restaurantes e lugares de diversão. Devem imaginar que em Santa Maria não há muito para fazer. Quem aqui vem, vem pela praia, ponto! Além do mais, como grande parte dos hotéis a funcionarem no regime de “all included”, os incentivos para não sair dos hotéis e das áreas dos mesmos são imensos.

Como não ficámos num desses hoteis, tivemos de fazer pela vida. Calcorreámos a ilha e agora partilhamos dicas, lugares e experiências a não perder em Santa Maria e na Ilha do Sal.

1 - Praia, praia, praia... e relax!

O Sal tem algumas das mais belas praias de Cabo Verde. Grande parte dos hotéis e resorts situam-se na cidade de Santa Maria onde está também a mais movimentada das praias.

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-10

 

2 - Observar os pecadores no Pontão de Santa Maria

Há todo um modo de vida que ainda se sente no Sal. Apesar dos turistas, dos hotéis e toda a economia que funciona à sua volta, ainda é possível ao fim da tarde ver os miúdos a saltar para a água de foram totalmente despreocupada e livre. Enquanto isso, os mais graúdos voltam da faina e despejam no pontão o fruto do seu labor: o peixe.

Sente-se por aqui, respire fundo, olha para o horizonte e deixe-se estar: isto é morabeza.

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-15

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-16A amanhar o peixe, no Pontão de Santa Maria (Ilha do Sal)

3 - Longas caminhadas pelo areal

Uma caminhada matinal desde o Pontão de Santa Maria até à Ponta Preta levou-nos cerca de duas horas. É uma caminhada tranquila, principalmente se for feita antes de grande parte dos turistas se levantar. Os cerca de 8 kms ao longo do areal branco, leva-nos também pelas “frentes” de grande parte dos hotéis de renome (Dune of Sal, Riu Palace, etc.)

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-12

4 - Deambular pelas ruas e comer num sítio local

Não há experiência melhor do que ir à deriva e encontrar daqueles sítios, com comida óptima e preços ainda melhores. E quando tudo é regado com uma bela Kriola, melhor ainda.

Perca-se nas ruelas de Santa Maria ou dê um salto a Espargos (a capital da ilha) e encontre-se com os (poucos) cabo-verdianos que ainda povoam a ilha.

 

O que visitar no resto da Ilha do Sal

Como já vos dissemos, para visitar o resto da ilha do Sal optámos por um tour que contratámos numa das barraquinhas perto da praia. Atendendo ao preços dos taxis e o tempo que tínhamos, foi sem dúvida a melhor opção. Levam-te aos lugares mais importantes e ainda te dão umas dicas pelo caminho.

O tour custou-nos cerca de 25€ e tivemos sorte com o nosso guia, um cabo-verdiano simpático, animado e conhecedor da ilha. Recolheram-nos no hotel por volta das 9:00 e às 14:00 estávamos de volta. O nosso percurso, foi mais ou menos este:

  • Palmeira
  • Vista Panorâmica desde o radar
  • Buracona
  • Olho D’Água
  • Observação de Miragens
  • Observação de Tubarões

 

Palmeira

A primeira paragem foi na pequena vila de Palmeira, onde tudo entra e sai do Sal, uma vez que é aqui que se situa o mais importante porto. Demos uma volta pelo centro e pelo porto onde é hora de amanhar o peixe.

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-5

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-6

 

Espargos, vista panorâmica sobre a Ilha do Sal

Uma subida até ao “radar”, para termos uma vista panorâmica sobre a cidade de Espargos. Espargos é a sede do concelho do Sal, e a maior cidade da Ilha do Sal, em Cabo Verde. Espargos está muito perto do Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, o que tem permitido o crescimento da cidade.

IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos-3

Buracona

Diz o ditado que “água mole em pedra dura tanto dá até que fura”. E melhor não se poderia dizer de Buracona. A força da água abriu na rocha vulcânica uma piscina natural que é o deleite dos visitantes. As cores que se avivam com o sol convidam a um mergulho, mas com cautelas.

 

Olho d'água

Se as praias paradisíacas do Sal e a sua água morna estão à vista de todos, a mais bela das suas jóias está escondida bem no fundo de uma gruta. O Olho d’ Água uma caverna sub-aquática de vários metro de profundidade na qual os raios de sol incidem pelas 11h formando um lindo e idílico olho azul, um verdadeiro fenómeno da natureza.

Ilha do Sal, Cabo Verde

 

Miragens na Ilha do Sal

Um dos momentos altos da viagem é “caça” às miragens. Sim, é verdade. Há mesmo miragens. Depende dos dias, das horas e das próprias condições climatéricas, mas com sorte podemos observar miragens espectaculares. As miragens são mais visíveis nas zonas desérticas e quando o calor e o sol está mais forte. Por isso, a observação das miragens é uma das últimas atividade antes do merecido almoço.

Bem, nós desta vez fomos bafejados pela sorte e conseguimos ver miragens muito interessantes. A foto não faz jus… sabemos disso. Se quiser tirar boas fotos às miragens, não se esqueça da teleobjectiva, acima dos 200mm.

 

Salinas de Pedra Lume

A Ilha do Sal foi descoberta em 1460 pelo português Diogo Afonso e pelo genovês Antonio di Noli. Inicialmente, foi chamada de Llana (Plana), mas por causa da exploração do sal na ilha, ficou conhecida por Sal. A primeira zona a ser explorada foi Pedra Lume, em 1804, por Manuel António Martins, devido às salinas ali encontradas, iniciando assim o povoamento da ilha.

Nos dias de hoje podemos visitar as Salinas de Pedra Lume, uma antiga exploração de sal que se encontra abaixo do nível do mar. A água das lagoas de onde se extraí o sal é bastante quente e claro salgada. Sim, é 27 vezes mais salgada do que a água do mar, por isso, já estão a imaginar que o ex libris da visita é o banho nas lagoas. Devido ao alto teor de sal da água, permite que boiemos. Por isso, não se esqueça do fato de banho 🙂

Pedra Lume.IlhadoSal.CaboVerde.OsmeusTrilhos.jpg

A salinas de Pedra Lume foram consideradas pelo Governo de Cabo Verde como Património Cultural Nacional.

Ilha do Sal - Galeria de Fotos

 

Usando os links abaixo para planear a sua viagem está a ajudar “Os Meus Trilhos” e você não paga nada a mais por isso…

 

Lalín | Guia para descobrir o coração da Galiza

Bem-vindos a Lalín, o coração da Galiza.

Para começar tira-se a costumeira fotografia ao ponto que marca o quilómetro zero de toda uma Galiza ainda por descobrir, para depois irmos ao encontro de Baltazar, figura cimeira da cidade e cidadão honorário sempre presente nas festividades! Este é um Baltazar de bronze honrando a gastronomia local que tem nas carnes do porco a essência do famoso cozido. Baltazar nunca está só, os locais, crianças e adultos reúnem-se à sua volta, mas fotogénico como é fica sempre bem na fotografia.

km 0 lalín (osmeustrilhos)O “porquinho Baltazar” que faz as delícias dos miúdos e o Km 0 da Galiza

Já vos contámos noutro sítio que estivemos a Lalín para participar no encontro de Bloggers de Viagem, sob o tema “Lalín, Outuno 2.0” e também vos mostramos os melhores lugares para aproveitar as cores outonais. Comemos super bem nesta terra de gente hospitaleira. Mesma para um vegetariano, em terra de cozido, a experiência não podia ter sido melhor.

Mas Lalín tem mais do que bonitas cores de outono e comida de perder a cabeça, tem um conjunto de lugares imprescindível que não devemos deixar de visitar. Aqui estão os nossos preferidos:

 

Ayuntamento de Lalín

Marca de modernidade o Ayuntamento de Lalín, atraí os olhares dos visitantes e apaixona os amantes da arquitetura, enredados nas suas linhas sinuosas e imponentes, cuja inspiração se fundou na cultura castreja, compartilhada por todo o noroeste peninsular e nas suas fortificações que albergavam os castros habitacionais, apenas subjugados ao poderio das Legiões romanas.

Ayuntamiento-Lalin-Galiza (osmeustrilhos.pt)

Em Lalín honra-se a cultura castreja. Só no seu concelho contamos 32, dos 107 existentes na comarca do Deza, não só na sede da administração local mas também na criação do espaço museológico do Castro Deza que visitámos.

Castro Deza lalin (osmeustrilhos)

Pelos corredores do museu interativo aprendemos muito sobre a linha que une os povos do norte de portugal e da Galiza, a sua organização e forma de vida que perduram muito para além da história e das linhas divisórias que demarcam os atuais domínios nacionais. Aconselhamos a visita, as crianças ficarão maravilhadas com o espaço e os adultos certamente se enriquecerão com a aventura.

 

Zona Histórica

Vaguear pela zona histórica de Lalín é a melhor forma de tomar o pulso à cidade. É verdade que Lalín não tem os cascos históricos de outras cidades galegas, mas isso não lhe tira o interesse. Por aqui há uns quantos pontos de interesse a não perder e claro. Nas ruas principais há comida e muito vermut. Perca-se pelo centro, se tiver sorte ainda poderá apreciar o mercado com os produtos regionais que tem lugar nas ruas principais.

Na Plaza da Igrexa, deixe-se envolver pela bonita igreja Santa Maria das Dores. Depois, mais em baixo tire um foto no “Km 0” da Galiza. Continue pela rua principal até ao monumento que lembra os feitos do aviador Joaquin Loriga, uma espécie de herói para os habitantes locais.

Lalín (osmeustrilhos)Ruas na zona histórica de Lalín. Igreja de Santa Maria das Dores

Não se esqueça de tirar uma foto com a mascote destas bandas, o “porquinho Baltazar” e de saborear um vermut nas diversas “vermuterias” que se espalham pelo centro da cidade.

 

Pazo de Liñares

Nestas terra galegas nem sempre em Castros viveram as suas gentes e as importantes famílias deixaram gravadas em construções magníficas, espaços que guardaram o espólio de gerações, como é o caso do Pazo de Liñares, propriedade de famílias fidalgas que foi recentemente adquirido e reconstruído pelo Ayuntamento.

De estilo barroco galego data de o princípios dos séc XVIII e nele nasceu em 1920 o aviador Joaquín Loriga Taboada, um dos mais ilustres Lalinhenses. Aqui podemos aprender mais sobre este intrépido viajante e aviador que em 1926, com outros dois pilotos, realizam o voo Madrid-Manila, num total de 18900km.

De pormenores arquitétonicos curiosos e rodeados de campos de cultivo e de paisagens bucólicas alberga ainda o Museu Galego da Marioneta, onde centenas de figuras se alinham em poses suspensas, coloridas e com expressões entre o sorriso trocista e o semblante enigmático.

Museu Marioneta Lalin (osmeustrilhos)

 

Casa do Patron

Esta incrível aldeia é um museu a céu aberto. A familia de Manolo dedica-se com devoção à recolha das mais variadas peças com ligações à sua terra, desde os arados de madeira, a aparatosos instrumentos médicos,  tudo é recolhido para a coleção do museu. Milhares de peças adornam várias salas reconstituindo a mais típica taberna às escolas de outros tempos…

Caza Patron Lalin - Galiza (osmeustrilhos.pt)-1

Pelas ruas as casas são identificadas pela história de cada família. Recriam-se as malhas e as ceifas em datas comemorativas e mantém-se viva a tradição de um povo, não só no museu mas também no restaurante que serve o típico cozido com os cuidados e aprumos das matriarcas de outros tempos.

Caza Patron Lalin - Galiza (osmeustrilhos.pt)2

Tudo aqui é fruto da dedicação e todos os pormenores são pensados, no alto da colina o Castro de Doade integra o espólio deste museu coroando-o em todo o seu apogeu. Um espaço que mais que um museu etnográfico é um encontro de paixões.

castro doade Lalin - Galiza (osmeustrilhos.pt)-1Vestígios castrejos no Castro Doade na aldeia de “O Penedo”, em Lalín

Ponte dos Cabalos (puente medieval) sobre el río Arnego

Somos apaixonados por pontes pelo seu equilíbrio imutável ao longo de séculos, transportando as gentes em eternas viagens, em uniões de vidas. Lalin exibe orgulhosamente a sua ponte medieval sobre o Rio Arnego que liga o concelho ao seu vizinho. Se antes para passar a ponte havia que pagar, uma portagem. Hoje esta oferece a mais bela vista sobre o rio sinuoso… Dos movimentos e trocas comerciais de antes resta, apenas, invadindo o silêncio o coachar das minúsculas rãs que se camuflam nas águas.

punte caballos - Lalin (osmeustrilhos.pt)-1-3

A ponte havia de mudar de nome pela emboscada feita nas invasões francesas e que apanhando o invasor de surpresa travaram os avanços napoleónicos, enquanto no chão inerte jaziam os cavalos mortos, e daí a ponte dos cavalos, nome a acompanha até hoje.

puente de los caballos

Este é um dos lugares privilegiados para contemplar o outono em Lalín, como aqui vos contámos.

 

Carballeira do Rodo

Um mesa gigante convida a boas refeições, se ainda por cima estiver rodeada de árvores frondosas que filtram os raios solares no pico do verão, mas que os engrandecem nas tonalidades outonais, sabemos que estamos em terras de boa gente.

Carballeira do Rodo Lalin - Galiza (osmeustrilhos.pt)-1

A área recreativa oferece espaço para comer, mas também para deambular ao redor das estátuas animalescas que na paisagem se confundem. Nesta altura algumas castanhas começaram já a cair… os ouriços adornam a paisagem…falta a  merenda é certo, mas para isso havemos de voltar.

Carballeira do Rodo Lalin - Galiza (osmeustrilhos.pt)

Área recreativa de Mouriscade

O rio pode ser Asneiro, mas contribui desde sempre para o fulgor destas terras. Outrora fazia girar os moinhos que grão faziam farinha, saciando a fome das gentes que a seu leito acudiam.

Hoje corre livremente entre crianças que brincam e se escondem nos moinhos abandonados.

Area Recreativa Couriscade_2 - Lalin (osmeustrilhos.pt)-1

A corrente enfraquecida pela seca continua a atrair as famílias para os passeios de fim de semana, o seu entorno propicia boas áreas de descanso e se  tempo assim  convidar nada melhor que iniciar o percurso pedestre da área. Para quem gosta de apreciar o outono, encontra aqui um dos lugares mais bonitos de Lalín.

 

O caminho de inverno (Caminho de Santiago)

Desde muito que Lalín se acostumou a receber peregrinos, o traçado clássico da peregrinação não passa por ali. Contudo estudos mais recentes permitiram descortinar uma outra rota, que por ser mais simples era percorrida nos meses mais frios evitando a penosidade do caminho nessa altura do ano. E é aqui que Lalín surge como mais um importante ponto de atração.

Os amantes do caminho ficam felizes há mais uma rota para explorar e longe do bulício dos outros trajectos em que a confusão pode ser muito pouco idílica em determinadas datas.

Caminho de Inverno de Santiago-Lalín-Galiza (osmeustrilhos.pt)

Em Lalín tudo se pensa e para ajudar na conquista de todas os gostos dos turistas foi recentemente inaugurada a  na nova área da autocaravanas. Gratuita e à disposição dos campistas, ficou instalada no centro da cidade, para que todos possam percorrer as ruas mais características apreciando o comércio a a gastronomia local. Contou-nos Paco Vilariño que a obra ficou mais cara por ter sido realizada no centro, mas assim se garante que os turistas terão tempo e oportunidade para conhecer a cidade, frequentar os mercados de fim de semana, onde se vendem os melhores produtos locais e recomendar aos amigos a visita! Mais informação sobre o Caminho de Inverno, no blog dos nossos amigos “Vagamundos” .

 

Onde comer em Lalín

Lalín tem excelentes lugares para os amantes dos prazeres da “boca”. Já sabemos que aqui reina a carne, e especialmente o cozido. Mas aqui também há excelentes opções para os mais exigentes, principalmente para os vegetarianos.

 

Onde dormir em Lalín

Em Lalín ficamos duas noites divinamente alojados no Pazo de Bendoiro,um palacete do Séx. XIV magnificamente decorado. Mas há outros bons lugares para relaxar, é só espreitar no Booking.

Ajude o blog reservando no Booking
Nota: Se for para Lalín e ficar alojado por lá, reserve o seu alojamento através do seguinte endereço do Booking. Você não paga mais por isso e está a ajudar o nosso blog.

pazo de bendoiro - lalínHotel Pazo de Bendoiro, em Lalín

Lalín | desfrutar do outono no coração da Galiza

Não exageramos se dissermos que Lalín é um lugar maravilhoso para apreciar o Outono. Há carvalhos e castanheiros por todo o lado. É verdade que, por estes dias, o outono já vai adiantado e que o ano, quente e seco, tarda em trazer as cores amareladas a estes monstros da floresta.

Bem, mas se este ano as árvores ainda não se vestiram nos seus melhores trajes outonais, e se ainda faltassem, encontrámos mais um bom motivo para voltar a Lalín, noutra altura, com o outono já em força.

Como não gostamos de guardar nada para nós, revelamo-vos os melhores lugares em Lalin para poder desfrutar desta época maravilhosa e aproveitar as cores e da luz outonal.

Os mercados com produtos da terra

Quem vem seguindo estes trilhos sabe que temos uma paixão assolapada por mercados. Como costumamos dizer, eles são a alma de um povo, os mercados têm vida. Na Rua Joaquin Loriga, mesmo o centro de Lalín, todos os sábados e 2º domingos do mês, os produtores locais juntam-se no centro da Vila para vender os seus produtos. Há legumes de todas as cores, frutas, queijos e enchidos. Há vinho, mel e guloseimas de lamber os dedos…

Nesta altura do ano, não faltam os produtos e cores da época. Não se esqueça que ao comprar produtos no mercados locais, ao mesmo tempo que compra produtos de qualidade está a ajudar os produtores e um modo de vida sustentável.

Mercado de Lalin - Galiza (galicia) - Os Meus Trilhos

Fraga de Catasós

Há muitos lugares para desfrutar do outono em Lalín, mas poucos podem almejar o estatuto da Fraga de Catasós. Neste lugar o caminhante, o viajante ou outro qualquer que se atreva a entrar nas suas entranhas, terá dificuldades em escolher entre manter os olhos no tapete de folhas que se entende monte acima ou nos troncos dos castanheiros que parece que se estendem até aos céus.

Este é daqueles lugares onde nos sentimos pequenos perante a magnificência dos castanheiros e dos carvalhos centenários que se estendem até onde a vista já não alcança.

A Fraga de Catasós é um autêntico monumento natural. Dizem-nos que os castanheiros que por aqui vivem são os mais altos da Europa. A crescer há mais de 200 anos, alguns alcançam mais de 30 metros de altura.


Saiba mais sobre a Fraga de Catasós em: 

Entre castanheiros centenários na Fraga de Catasós em Lalín (Galiza)

Quando nos aproximamos de Lalín, percebemos que estamos num lugar especial. Há carvalhos e castanheiros por todo o lado. O outono já vai adiantado mas o ano, quente e seco, tarda em trazer as cores amareladas a estes monstros da floresta. Mas estávamos longe de imaginar que ali escondido, se encontrava um tesouro muito bem […]

1 comment

Área Recreativa de Mouriscade

Se procuras um lugar tranquilo, para descansar e comer uma merenda, ler um livro, ou simplesmente apreciar a vegetação outonal, vieste ao lugar certo.

Envolta por campos agrícolas e muitos soitos, a Área Recreativa de Mouriscade goza de uma beleza ímpar. Atravessada pelo río Asneiro, as pequenas cascatas e o manto de folhas transformam este lugar num espaço bucólico para relaxar e apreciar a natureza.

Claro que, nesta altura do ano, não faltam as flores de açafrão selvagem que despontam entre as folhas e os cogumelos que pintalgam o chão de mil cores.

Area Recreativa Couriscade - Lalin (osmeustrilhos.pt)-1

Se tiver vontade e lhe apetecer esticar as pernas, por aqui passa uma pequena rota circular que dá volta a todo o espaço. Por aqui passa também a “Ruta do Castro de Doade PR-G210”, com cerca de 15km (toda a informação aqui, no wikiloc) que se inicia na Casa do Patrón – Museo Etnográfico . Se te apetecer aprender um pouco sobre a flora e fauna de Lalín, está atento, porque existem placas informativas em toda a zona. Por fim, um moinho de água abrilhanta o espaço. Est

Area Recreativa Couriscade_2 - Lalin (osmeustrilhos.pt)-1

Ponte dos Cavalos

Com mais de mil anos, a ponte dos Cavalos é uma espécie de monumento vivo, testemunho de épocas e de guerras, de amores e tristezas, da memória de um povo.

O rio Arnego, neste atípico outono, ou melhor, “verono” como já lhe chamam, corre pachorrentamente entre o granito que teima em lhe dificultar a passagem. Dias virão em que as suas águas galgarão estas margens agora tranquilas, arrastando consigo quem se atrever a fazer-lhe frente.  

O som das bolotas que se desfazem debaixo dos nossos pés, é uma espécie de terapia, pelo caminho que desde a aldeia de Parada até à ponte transcorre longos bosque de carvalhos.

A ponte que agora se chama “Ponte dos Cabalos” foi já designada de “Pontádego” ou mesmo “Ponte do Portego” , pois, como era vulgar, para se passar era necessário pagar uma portagem.

puente de los caballos

Quer saber o que fazer em Lalín? Veja todos os nossos artigos:
Guia para visitar lalin (osmeustrilhos)

Lalín | Guia para descobrir o coração da Galiza

Bem-vindos a Lalín, o coração da Galiza. Para começar tira-se a costumeira fotografia ao ponto que marca o quilómetro zero de toda uma Galiza ainda por descobrir, para depois irmos ao encontro de Baltazar, figura cimeira da cidade e cidadão honorário sempre presente nas festividades! Este é um Baltazar de bronze honrando a gastronomia local […]

0 comments

Lalín | desfrutar do outono no coração da Galiza

Não exageramos se dissermos que Lalín é um lugar maravilhoso para apreciar o Outono. Há carvalhos e castanheiros por todo o lado. É verdade que, por estes dias, o outono já vai adiantado e que o ano, quente e seco, tarda em trazer as cores amareladas a estes monstros da floresta. Bem, mas se este […]

0 comments

Entre castanheiros centenários na Fraga de Catasós em Lalín (Galiza)

Quando nos aproximamos de Lalín, percebemos que estamos num lugar especial. Há carvalhos e castanheiros por todo o lado. O outono já vai adiantado mas o ano, quente e seco, tarda em trazer as cores amareladas a estes monstros da floresta. Mas estávamos longe de imaginar que ali escondido, se encontrava um tesouro muito bem […]

1 comment
Encontro de BLogs de Viagem - Lalin - Galiza

Encontro de Blogs de Viagem em Lalín (Galiza) – Outono 2.0

Dizemos em claro português que no meio está a virtude. Não conhecemos equivalente expressão em castelhano, mas descobrimos em galego todo o alcance da mesma. Lalín, município espanhol da província de Pontevedra, na Galiza, endereçou-nos o convite que, se de imediato nos honrou, haveria de revelar-se ainda mais honroso na forma como nos recebeu e […]

1 comment

Entre castanheiros centenários na Fraga de Catasós em Lalín (Galiza)

Quando nos aproximamos de Lalín, percebemos que estamos num lugar especial. Há carvalhos e castanheiros por todo o lado. O outono já vai adiantado mas o ano, quente e seco, tarda em trazer as cores amareladas a estes monstros da floresta.

Mas estávamos longe de imaginar que ali escondido, se encontrava um tesouro muito bem guardado, onde estas árvores vetustas dominam quem entra no seu território e faz corar de vergonha até o mais entroncado dos homens: chegávamos à “Fraga de Catasós”.

Fraga_Catasos - Lalin (osmeustrilhos.pt) (2)

Neste lugar o caminhante, o viajante ou outro qualquer que se atreva a entrar nas suas entranhas, terá dificuldades em manter os olhos no tapete de folhas que se entende monte acima, ou nos troncos dos castanheiros que parece que se estendem até aos céus.

Fraga_Catasos - Lalin (osmeustrilhos.pt) (3)

Este é daqueles lugares onde nos sentimos pequenos perante a magnificência dos castanheiros e dos carvalhos centenários que se estendem até onde a vista já não alcança.

Fraga_Catasos - Lalin (osmeustrilhos.pt) (6)

A Fraga de Catasós é um autêntico monumento natural. Dizem-nos que os castanheiros que por aqui vivem são os mais altos da Europa (nota: mas um dos maiores castanheiros têmo-lo na Guarda, o Castanheiro de Guilhafonso).  A crescer há mais de 200 anos, alguns alcançam mais de 30 metros de altura.

Bem, porque em português uma fraga é bem diferente, importa fazer aqui um parêntese. Em galego, uma Fraga é um bosque muito frondoso, com grande variedade de árvores autóctones, nomeadamente carvalhos e castanheiros.

Declarada Monumento Natural pela Xunta da Galicia, é uma das joías de Lalín que merece ser explorado com delicadeza. Mas foram precisos quase 50 anos desde que o naturalista americano Filippo Gravatt visitou este lugar e propôs a sua proteção à FAO, até que foi declarada em 2000 Monumento Natural por la Xunta de Galicia.

Fraga_Catasos - Lalin (osmeustrilhos.pt) (1)

 

Percorremos lentamente os caminhos que se metem floresta adentro. A esta hora o Sol da manhã aparece filtrado por entre as folhas verdes, mas que dentro de alguns dias anunciarão este outono que tarda em chegar.

Paramos aqui e ali. Entre um foto e a leitura de um painel informativo, lá vamos “rilhando” uma castanha que colhemos do chão. Por muito bem que nos tratem em Lalín, porque em terra de cozido, também há boa comida vegetariana, como bons beirões que somos, não podemos resitir a uma castanhinha.

Fraga_Catasos - Lalin (osmeustrilhos.pt) (5)

O percurso está bem sinalizado. Vamos lentamente, absorvendo tudo com a calma que merece. O percurso pela Fraga de Catasós é curto o suficiente para convidar a um passeio em família. De certeza que este exemplares gigantes vão despertar a curiosidade de todos os que se atreverem a vir cá.

Fraga_Catasos - Lalin (osmeustrilhos.pt) (4)

Outros artigos que podem interessar sobre Lalín

Guia para visitar lalin (osmeustrilhos)

Lalín | Guia para descobrir o coração da Galiza

Bem-vindos a Lalín, o coração da Galiza. Para começar tira-se a costumeira fotografia ao ponto que marca o quilómetro zero de toda uma Galiza ainda por descobrir, para depois irmos ao encontro de Baltazar, figura cimeira da cidade e cidadão honorário sempre presente nas festividades! Este é um Baltazar de bronze honrando a gastronomia local […]

0 comments

Lalín | desfrutar do outono no coração da Galiza

Não exageramos se dissermos que Lalín é um lugar maravilhoso para apreciar o Outono. Há carvalhos e castanheiros por todo o lado. É verdade que, por estes dias, o outono já vai adiantado e que o ano, quente e seco, tarda em trazer as cores amareladas a estes monstros da floresta. Bem, mas se este […]

0 comments

Encontro de Blogs de Viagem em Lalín (Galiza) – Outono 2.0

Dizemos em claro português que no meio está a virtude. Não conhecemos equivalente expressão em castelhano, mas descobrimos em galego todo o alcance da mesma.

Lalín, município espanhol da província de Pontevedra, na Galiza, endereçou-nos o convite que, se de imediato nos honrou, haveria de revelar-se ainda mais honroso na forma como nos recebeu e se deu a conhecer na humildade de uma terra que se auto intitula o ponto zero.

Mas um zero que se assume como ponto de partida para a descoberta de toda a região da Galiza, terra de encantos, lendas e uma história marcante no contexto peninsular.

Lalin km 0.jpg

Génese de uma cultura partilhada na diáspora das suas gentes, o quilometro zero incrustado a metal na avenida central da cidade marca o palpitar da Galiza. Desde ali as principais cidades galegas ficam equidistantes e esse estatuto geográfico central é algo de que a cidade se orgulha.

Lalín que serviu de entreposto durante séculos, antes da Espanha unificada, às trocas comerciais  ainda antes do alcatrão rasgar a paisagem, foi a nossa “casa” durante o fim de semana de 6, 7 e 8 de outubro.

Foi um fim de semana em cheio. Sob o epíteto “Outono 2.0 en Lalín”, à mesa e na descoberta, juntaram-se blogs de viagem, vindos dos 4 cantos de Espanha e também de Portugal.

Encontro de Bloggers - Lalin (osmeustrilhos.pt)-1.jpg

Os Bloggers participantes no encontro:

Noutros artigos que já estão em marcha, havemos de contar-vos tudo sobre Lalín, este pequeno recanto incrustado entre castanheiro e carvalhos. Apesar de famosa pelo seu clássico cozido galego (bem parecido com o típico português), Lalín  é muito mais. Com um toque vanguardista, a sua gastronomia está aberta ao mundo e presenteou-nos com excelente comida vegetariana, daquela de crescer água na boca.

Havemos também de vos levar a Castrodeza, a Mouriscade, à Ponte dos Cabalos e às Fragas de Catasós. Havemos de vos falar dos cantos “secretos” para apreciarmos a natureza, o outono, e até os caminhos de Santiago.

Por agora, vamos mostrar-vos como ficámos bem instalados num “palacete” do Séc. VII, o lugar que calorosamente nos e permitiu retemperar as forças a cada dia da visita: Hotel Pazo Bendoiro.

pazo de bendoiro - lalin.jpg

O encontro e o reflexo nas notícias:

Deste maravilhoso fim de semana resultaram os seguintes artigos aqui no blog:

Um passeio pelo Caminho dos Covais – Manteigas | Serra da Estrela

Nas encostas do Vale Glaciar do Zêzere, no coração da Serra da Estrela, há um caminho inacabado, daqueles que vão a lugar nenhum. O caminho termina abruptamente, como se, de repente, o alento dos seus construtores se tivesse esvaído num ápice e, à pressa, o labor tivesse ficado a meio.

E ficou mesmo. O Caminho dos Covais ficou a meio, lá prós lados do Barranco dos Covões.

Não tem saída, é preciso ir e voltar. Mas não te vais arrepender de passar duas vezes no mesmo sítio, porque aqui as vistas são absolutamente estonteantes.

caminho.Covais.SerraEstrela.OsMeusTrilhos-2

O Caminho dos Covais começa em Manteigas e termina no Barranco dos Covões. É verdade que não leva a lugar nenhum, ou melhor, leva-nos a descobrir perspectivas diferentes da Serra. Normalmente, quando subimos à Torre, vemos o vale pela direita. Daqui vê-se o vale do Zêzere pela esquerda, lá no fundo, e que lindo que é.

O caminho começa em Manteigas, atravessa o antigo viveiro florestal e segue serra acima.  Atravessamos um zona que foi fustigadas nos anos recentes pelo fogos florestais. Esta visão infernal desmotivou-nos… seria o caminho todo assim?

Mas a pouco e pouco a vista desimpede-se sobre o vale. Olhamos para trás e, por  entre montes cobertos de arvoredo, lá está a vila de Manteigas.

caminho.Covais.SerraEstrela.OsMeusTrilhos-1

Subimos do lado esquerdo do Vale Glaciar do Zêzere, nas encostas da serra.

Perguntamos-nos onde leva este caminho tão engenhosamente “colado” a meia encosta na serra? Que haverá para estes lados?

A estrada está inacabada, viemos a comprovar uma horas mais tarde. Deveria ligar a vila de Manteigas a uma barragem cujo projecto a colocava no vale da Candeeira. Felizmente para nós, e para  a Serra, o projecto foi abandonado.

caminho.Covais.SerraEstrela.OsMeusTrilhos-7

Perto da Barroca das Lameiras, que nesta altura do ano traz pouca água, reparamos na sinalização vermelha e amarela que indicam um Percurso Pedestre. E, mais à frente, já depois da Barroca de Porto Novo, encontramos as placas do PR4 com derivação que leva à Nave da Mestra, um dos lugares que mais gostamos na Serra da Estrela. Um lugar tranquilo, único e testemunho de uma época passada em que os pastores faziam vida pelos recantos desta serra.

Parte deste pequeno caminho encontra-se englobado no percurso pedestre PR4 – MTG (Rota do Carvão)

Nave da Mestra, a pureza da Serra da Estrela

A Nave da Mestra é daqueles lugares bem escondidos nas entranhas da Serra da Estrela, mas que leva o troféu dos lugares mais bonitos e mágicos do planalto. Há vários caminhos, trilhos e formas de chegar à Nave da Mestra. Podemos chegar à Nave da Mestra por exemplo através da “Rota do Carvão” – PR4 ou da “Rota […]

7 comments

 

Nesta altura do ano as barrocas não se enchem de água. O ano tem sido seco e o país vive dias de seca extrema. Recordo-me de nos dias invernais quando descemos o vale pela estrada da Torre para Manteigas e ver a água vertiginosamente a lançar-se das fragas a caminho do vale. Agora, tudo está mais calmo.

caminho.Covais.SerraEstrela.OsMeusTrilhos-9

A estrada a pouco e pouco dá sinais dos poucos metros que faltam. Aqui, o pouco caminho que ainda resta foi já invadido pela giestas e outras pedras que bloquearam alguns troços. Quando atravessamos o Ribeiro da Porta, a estrada dá o ultimo suspiro, veio morrer no Barranco dos Covões.

Agora já sabemos. Há que tomar o caminho de volta e boa caminhada.

Dicar para fazer em segurança o Caminho dos Covais

Distância: Dependendo de pequenas variações e se vai mesmo até ao Barranco dos Covais, mas conte com 12 km (6 para ir e outros tantos para voltar); Dificuldade: embora o percurso não seja difícil há algumas pequenas subidas que dão um pouco mais que fazer; Técnica: não é necessários grandes conhecimentos técnicos para este percurso, contudo, mais uma vez, como estamos na serra todos os cuidados são poucos. Avise sempre alguém do percurso que vai fazer. Leve água e calçado apropriado. Muito cuidado no Inverso, a serra pode ser fatal, quando não temos os cuidados necessários.

O GPX do trilho do Caminho dos Covias pode ser consultado e descarregado através da nossa página no Wikiloc.

Geocaching: para os amantes do Geocaching, podemos há duas cache por aqui perto, ao longo do percurso o “Caminho dos Covais” e o “Olhar do Gigante”. 

 

Colmeal – Crónicas da aldeia abandonada

Não há na história nacional dia igual aquele dia de 8 de julho de 1957, quando as forças policiais irromperam pela aldeia do Colmeal (concelho de Figueira de Castelo Rodrigo), rasgando a ruralidade de um Portugal perdido na beira, esquecido de todos e à mercê da lei do mais forte onde a vontade dos poderosos imperou pelo uso da força.

colmeal.figueira de castelo rodrigo.OsmeusTrilhos-4Dentro da igreja que depois do abandono da aldeia entrou em ruínas

O episódio trágico ficou enterrado na memória coletiva das gentes, assim como as vidas daqueles que pereceram, num secretismo ditatorial que oprimia o país, vergando a miséria dos mais pobres às vontades dos mais ricos.

Pouco ou mesmo nada se escreveu na época do massacre e pouco se estudou ainda hoje, mas sabe-se que Rosa Cunha e Silva devidamente coadjuvada com o seu advogado Manuel Vilhena conseguiu por artifícios e maliciosas intenções alterar o estatuto das terras de Colmeal de aldeia para quinta privada da qual era herdeira. A partir daí bastava exigir os tributos aos habitantes da terra. Grassava a fome e a vida era dura, pouco sobrava para subsistir e menos ainda para suportar as rendas que a nova senhoria impunha.

Lemos que serviu de pretexto para a ação judicial de despejo a mora do pagamento, mas não será de estranhar que assim mesmo acontecesse. Como poderiam os aldeões satisfazer o pagamento dos impostos???

O certo é que o despejo ganhou forma e foi executado à mão armada pelas forças policias. Não se sabe quantos morreram e menos se pode adivinhar para onde fugiram os sobreviventes e qual a sua sorte. Mas desde esse dia 8 de junho que não voltou a haver vida naquela aldeia.

Colmeal.Osmeustrilhos

Restam ruínas das casas de habitação encimadas pelo que resta da igreja. Tudo jaz aqui no sopé da Marofa, que a tudo assistiu, testemunho mudo que engoliu os gritos de desespero e os sons da metralha da GNR.

Parece que no final e para pagar ao advogado a poderosa Rosa terá sido forçada a vender as terras, mas para encontrar o desfecho feliz da história temos de percorrer 60 anos na história até à inauguração do hotel – Colmeal Coutryside Hotel – que nos dias de hoje restitui um pouco de vida à aldeia abandonada.

colmeal.figueira de castelo rodrigo.OsmeusTrilhos-8O Belíssimo  Colmeal Coutryside Hotelque hoje ocupa quase a totalidade da antiga aldeia.

colmeal.figueira de castelo rodrigo.OsmeusTrilhos-1Vista panorâmica para a Aldeia de Colmeal, em Figueira de Castelo Rodrigo

Dicas para visitar a aldeia de Colmeal
  • Localização: A aldeia de Colmeal situa-se bem perto da vila de Figueira de Castelo Rodrigo, na estrada que liga esta sede de concelho a Pinhel (estrada N221, mais conhecida por “Excomungada”,  má fama que ganhou na década de 70 por ser perigosa – ver no mapa localização de Colmeal.
  • Pode alojar-se no moderno Hotel e Spa Colmeal Coutryside Hotel.
  • Existem percursos pedestres para aproveitar a paisagem envolvente. Solicite informações na receção do Hotel.
  • Já que está numa das mais bonitas zonas do pais, aproveite para visitar as Aldeias Históricas e o Alto Douro Vinhateiro.

Subir a um Vulcão. Pico do Fogo, Cabo Verde

Subir ao topo do Vulcão do Fogo foi uma das experiências mais incríveis que tivemos em Cabo Verde. São 6 horas intensas, de calor e muitas dores nas pernas, mas valeu cada escorregadela, cada gota de suor, cada grão de areia nas botas…

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus TrilhosNós no topo do Pico do Fogo, quase a 3 metros de altitude

O Vulcão do Fogo é um vulcões mais ativos do mundo. Em 2014/2015, data da última erupção, engoliu 5 centenas de casas, destruindo quase por completo uma aldeia inteira, a Chã das Caldeiras.

E foi daqui que saímos manhã cedo, madrugada, melhor dizendo.

Vulcão.Fogo-caboVerde-OsmeusTrilhos-17O vulcão sob o céu estrelado

Quando o despertador tocou às 5:30, lá fora apenas a luz das estrelas iluminavam suavemente o Vulcão. Arrastámo-nos lentamente até à sala onde a Laeticia nos tinha preparado o pequeno almoço. Comemos ainda com os olhos meio fechados, mas com um entusiasmo crescente. Afinal, há muito que sonhávamos com este dia.

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus Trilhos

São 6 horas quando o João, aparece à porta da nosso alojamento. O João é irmão do Alcindo, o dono da pensão onde estamos alojados e que maravilhosamente nos tratou durante os dias aqui. Ele vai ser o nosso guia durante o dia de hoje.

Depois das mais recentes erupções a aldeia começou a passar por muitas dificuldades. Graças ao esforço das suas gentes, à sua resiliência e ao turismo, a aldeia vai renascendo das cinzas. Por isso, o serviço de guias a turistas é uma excelente fonte de rendimentos para os habitantes da aldeia.

No dia anterior o João falou-nos um pouco da subida e do percurso. Mais tarde, viríamos a saber, duvidou que conseguíssemos chegar ao topo e descer pelo Pico Pequeno. Diz que os portugueses são muito lentos, não gostam de caminhar. Fizemos-lhe ver que estava completamente enganado 🙂

Quando chegamos ao sopé do vulcão o dia começava a clarear. A luz ténue dava uma tonalidade cremosa à paisagem, tons negros pintalgados de verde, pelas videiras que se espalham campo fora.

No dia anterior já tínhamos vagueado por estas bandas, calcorreámos as ruas cobertas de lava e impressionámo-nos com esta imensidão negra, como aqui contámos.

Ir e vir da Chã das Caldeiras até ao Pico do Fogo demoraria cerca de 4/5 horas. Se fossemos até ao Pico Pequeno, lugar da última erupção, seriam mais 2 a 3 horas.

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus Trilhos

A primeira hora do percurso é relativamente fácil. Estava fresco. Quando se olha para trás vemos um pequeno grupo que também sobe ao vulcão.

A pedra bordeira já está completamente iluminada. A bordeira, em forma de semicírculo, e com 9 kms de diâmetro, é uma colossal parede de rochas basálticas, a pique, cuja altura chega a ultrapassar mil metros.

Paramos uma ou duas vezes, para descansar, beber água, mas acima de tudo para apreciar a magnificência das vistas cá de cima.

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus Trilhos

Vamos em passada forte. Estamos habituados a estas caminhadas, mas a pouco e pouco as pernas começam a fraquejar. Parece que o topo é já ali, mas uma parede imensa de rochas eleva-se à nossa frente.

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus Trilhos

O João vai conversando connosco, fala-nos da sua vida, da família, dos dias angustiantes em que quase todos saíram da aldeia e ele e o irmão Alcindo se mantiveram vigilantes, vendo a lava destruir as suas vidas.

Começa a cheirar intensamente a enxofre. O João lança umas palavras em tom de alento final e, de um salto, vemos a cratera do Pico do Fogo. As fumarolas lançam vapor de água, gases e um cheiro nauseabundo a enxofre.

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus TrilhosA cratera do pico do Fogo, na Ilha do Fogo em Cabo Verde

Finalmente chegou a merecido descanso. O João está impressionado connosco. 2 horas e 15 minutos. Excelente. Agora comemos umas sandes que trazíamos na mochila e tiramos fotos, muitas.

Entretanto chega um outro irmão do João, serve de guia a um casal de italianos. Chegam os franceses e nós preparamo-nos para partir. Somos os únicos a continuar na subida. Sim, porque ainda não estamos no topo.

Aqui não se ouve nada. Estamos sozinhos de frente para a natureza pura, dura e crua. Queremos chegar ao ponto mais alto da Ilha e o ponto mais alto de Cabo Verde. Com ajuda de uns cabos fixados na rocha, a via ferrata, circulamos o monte.

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus Trilhos

Puff! Estamos no topo.

Serão precisas palavras?

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus Trilhos

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus TrilhosEnquanto uns tiram fotos, outros descansam, e outras ainda atualizam o perfis no Facebook 🙂

Subimos 1555 metros. Se estamos cansados? Um pouco. Mas agora é sempre a descer e a parte mais divertida vem a seguir.

Fechem os olhos, imaginem descer um vulcão a correr, por um lençol de fina pedra-pomes (lapili), rebolar, cair e só pararmos lá no fundo? Pois, a nossa descida foi assim:

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus Trilhos

Cobertos de pó negro até às orelhas, chegámos ao Pico Pequeno. Existem diversos picos na caldeira principal onde, ao longo das décadas, o vulcão tem libertado pressão e expelido a sua fúria. O Pico Pequeno é um desses pico e que em 2014/2015 decidiu acordar. Expeliu lava durante semanas e arrasou casas e vidas. Parece tão pequenino e inofensivo…

Subida Vulcão Fogo Cabo Verde. Os Meus Trilhos

Circulamos o Pico Pequeno e sentimos que a caminhada estava a chegar ao fim. Sentíamos a pele a picar do pó negro, mas sabíamos que este iríamos guardar na retina e na memória está experiência fantástica. Regressamos a casa do Alcindo para um belo banho e mais uma passeata pela aldeia. Acabámos o dia cansados de copo de vinho  do famoso manecon, feito com as próprias mãos e saber de quem habita estes lugares singulares. Damos mais uma olhadela de soslaio e lá continua ele. Imóvel. É nestes lugares que nos sentimos pequenos, sentimos que somos apenas um grão de areia, quase invisível, neste planeta gigante.

galeria de fotografias - Subida ao Vulcão do Fogo

Dados Técnicos (Subida ao Vulcão do Fogo)
  • Distância: 12,32 km (pode variar consoante o percurso) – Ver o percurso no Wikiloc
  • Tempo: entre 6/7 horas (consoante o percurso. Sem passagem pelo Pico Pequeno são cerca de 4h)
  • Tipo de percurso: Circular
  • Altitude máxima: 2779 – Altitude mínima: 1712
  • Acumulado na subida: 1555m
  • Dificuldade técnica: Difícil
  • Preço do guia: os preços podem variar, mas rondam os 4000 ecudos para o Pico do Fogo e mais 2000 escudos se quisermos ir até ao Pico Pequeno. Apesar de ser possível ir sem guia, não tome esta opção. O caminho pode ser perigoso se não soubermos onde “pisamos”, além do mais ao contratar um guia está a contactar com as gentes do Fogo e a contribuir para a frágil economia local.

Meandro del Melero, as curvas do Rio Alagón

O meandro formado pelo rio Alagón, perto da aldeia de Riomalo de Abajo, perto da Sierra de Francia,  é umas das panorâmicas mais bonitas de Espanha, um autêntico postal mandado diretamente de nuestros hermanos.

meandro.del.melero.OsmeusTrilhos-6

As águas do rio Alagón que caprichosamente ao longo dos séculos sulcaram estas montanhas formaram uma das mais espectaculares formações fluviais de toda a península Ibérica.

O rio Alagón, uafluente do rio Tejo, separa nesta zona as províncias de Salamanca e Cáceres.

Qual o melhor lugar para ver o Meandro del Melero?

O melhor lugar para uma vista desafogada para o Meandro del Melero é sem dúvida desde o Mirador de la Antigua, perto de Riomalo de Abajo, já na província de Cáceres.

meandro.del.melero.OsmeusTrilhos-8

Para chegar ao miradouro há uma pequena estrada florestal que sai desde a aldeia de Riomalo de Abajo. É possível percorrer este percurso de carro, e que nos levou não mais de 10 min. Vimos também que existia uma rota circular, num total de 7 km, mas que pelo adiantado da hora já não conseguimos percorrer. A “Verea de los Pescadores” permite observar um grande número de aves aquáticas e, entre setembro e outubro, com sorte ainda ouvimos a brama dos veados.

meandro.del.melero.OsmeusTrilhos-2

O Rio Alagón e a Serra de Gregos coberta de neve

Dicar para visitar o Meandro del Alagón
  • Localização: o meandro situa-se perto de Riomalo de Abajo a cerca de 60km de Ciudad Rodrigo e 100 km da fronteira com Portugal (ver mapa)
  • Para apreciar o Meandro del Alagón, o melhor lugar é o miradouro de la Antigua, ver no mapa onde se situa.
  • É possível ir de carro até ao miradouro, através de uma estrada florestal.
  • para apreciara a paisagem sugerimos que faça o trilho “Verea de los pescadores”, uma rota circular que saiu de Riomalo de Abajo

Se quiser aproveitar o fim de semana, que tal seguir as nossas sugestões e ir até Salamanca. Veja aqui como passar un buen rato nesta maravilhosa cidade espanhola.

 

Vulcão do Fogo (Galeria de Fotografias)

O Vulcão da Ilha do Fogo, em Cabo Verde, é um dos mais altos e ativos vulcões oceânicos. A ilha do Fogo eleva-se 2.829 metros acima do nível do mar.

A atividade mais recente ocorreu entre novembro de 2014 e fevereiro de 2015, tendo atingido as povoações que habitavam na orla vulcânica: Chã das Caldeiras, constituída por Portela e Bangaeira. Cerca de 500 casas foram destruídas e deslocadas mais de 1000 pessoas.

Na prática toda a ilha é um vulcão. Dentro da cratera, que colapsou num dos lados, emergiu o Pico do Fogo… o vulcão que facilmente se reconhece.

Clicar na foto para aumentar e passear pelo Vulcão do Fogo.

A aldeia de Portela, na Chã das Caldeiras, depois da erupção de 2014/2015

Djarfogo, o calor da terra na Ilha do Fogo

Aterramos no pequeno aeródromo de São Filipe, no Fogo, acompanhados pelo sotaque americano que invadiu o crioulo falado pelos emigrantes que no regresso à terra trazem malas carregadas de saudade, mas também, e imaginamos nós, de prendas e novidades.

Atualmente a população de Cabo Verde encontra-se espalhada pelos quatro cantos do planeta, há até quem lhe chame a 11ª ilha. Calcula-se que vivam na diáspora cerca de 500 mil cabo-verdiano, mais do que a população que habita o arquipélago.  A Ilha do Fogo não é exceção, sendo uma das ilhas com mais população emigrada.

Se o nome de Cabo Verde que batizou todo um arquipélago nos intriga, devido à óbvia contradição com a tonalidade acastanhada que vemos a cada ângulo, já na Ilha do Fogo facilmente se adivinha de onde surgiu a inspiração para o nome.

Vulcão do Fogo, Ilha do Fogo, Cabo Verde

Paisagem lunar da caldeira do Vulcão do Fogo, perto de Chã das Caldeiras.

Já agora, conta-nos a história que em 1640 quando a ilha foi achada, foi-lhe dado o nome de São Filipe. Mais tarde, quando os navegadores portugueses regressam À ilha após contarem a novidade a sua majestade, dão com o Vulcão em erupção e dai surge, a Ilha do Fogo.

S. Filipe é agora a capital da ilha. Depois de subirmos ao Pico do Fogo, voltaremos à capital para descobrir a sua praia de areia preta e as suas casas coloniais. Por agora, resta-nos recolher as malas e arranjar transporte que nos leve, montanha acima, até à aldeia que se encontra situada no sopé do Pico do Fogo e onde passaremos os próximos dias.

A Subida para Chã das Caldeiras, na Ilha do Fogo

Estando a sorte do nosso lado e sabendo que ao domingo os alugueres eram muito raros, já nos tínhamos preparado para gastar os 7.000 escudos que nos custaria a viagem do aeroporto até Chã das Caldeiras. Mas apesar da viagem nos ter custado apenas menos 1.000 escudos do que esperado, o amigo taxista que o destino nos reservou, portou-se como se fosse o nosso guia, disposto a parar onde nos apeteceu fotografar e a explicar, durante a viagem, as curiosidades do percurso.

Subida Para Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo

Foi ele que nos explicou que a viagem fica agora mais cara, uma vez que na última erupção a lava escorreu, cobrindo a antiga estrada que agora jaz submersa por toneladas de lava e que obriga a um desvio por entre caminhos poeirentos escavados entre muros de magna solidificado, pontuados pelas recentes reconstruções e pelo verde das videiras rasantes ao solo de cor cinza escuro.

Ilha do Fogo, Vulcão, Cabo Verde

Aqui parece que tudo nasce e frutifica. Vemos pelo caminho ainda batatas, feijoeiros e até alguns marmeleiros, cujo fruto mais tarde iremos provar e que nos apaixonou o paladar pelo travo característico, mas mais doce e suave do que os que conhecemos.

Em quase hora e meia de viagem conseguimos aprender muita coisa e aproveitar cada miradouro para fotografar e respirar um pouco de ar, que as curvas da rota podem ser impiedosas, para um estômago como o da Sandra que não se dá bem com estas aventuras.

Cha das Caldeiras, Ilha do Fogo

Aqui estamos nós (Sérgio e Sandra), numa paragem estratégica à entrada do Parque Natural do Fogo. Vista fantástica, não é?

O carro percorreu as ruas improvisadas de Chã das Caldeiras e o choque de ver as casas engolidas pela lava foi enorme! Há rios de lava que, de vez em quando, são pintalgados pelos tetos brancos das casas engolidas. Parece que a erupção foi ontem. A lava escura encerra os terrores que os habitantes viveram há cerca de 2 anos.

Chã das caldeiras é uma localidade na cratera do vulcão, ligada ao mesmo de forma visceral. Em 2015 pouco restou da aldeia que foi invadida por lava. Ainda que tenham conseguido salvar os bens, as casas e as culturas foram arrasadas e é impressionante ver como de algumas apenas o teto restou, entre os muros que solidificaram ao seu redor, prendendo-as numa cela intransponível de material vulcânico.

Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo, Cabo Verde

Passámos no edifício que anteriormente albergou a Casa Alcindo que nos vai receber nos próximos dias. Todo o seu trabalho ficou assim enterrado apenas 3 meses depois de ter sido inaugurado. Assim é a vida por aqui, em terras de vulcão, esse mesmo pico que nos acompanhou desde a aterragem e que nos guiou ao nosso destino sem abandonar a sua imensidão. Por aqui a vida corre aos ritmos naturais sem que se saiba qual o ponto da caldeira que vai rebentar em fúrias, e qual a o trajeto da sua raiva.

Casa Alcino - Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo, Cabo Verde

A Sandra contemplando o Vulcão da janela do nosso quarto na Casa Alcindo

As erupções de 1951, 1994 e 2014/2015 são visíveis em rios de lava que com o tempo adquirem novas tonalidades e que escorreram pelas encostas guiadas apenas pela força da natureza. Num trago conseguem destruir ao seu redor os anos de suor das gentes da terra.

Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo, Cabo Verde

Mas como se diz por ali, foram eles que escolheram viver nas terras deste gigante e entregar-se assim à merce das suas vontades. É o vulcão que lhe benze as terras férteis, onde quase sem água tudo brota e o sol morno que brilha quase todos os dias que traz e deleita os visitantes das terras frias.

Quer conhecer e ver como ficou a aldeia de Chã das Caldeiras depois da última erupção, então faça uma viagem a Chã das Caldeiras e ao Vulcão do Fogo através da nossa galeria de fotos

Por todo o lado a aldeia renasce a pouco e pouco e dezenas de crianças correm em alegres brincadeiras por entre as casas que novamente se vão erguendo.

Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo, Cabo Verde

Com a ajuda de todos a vida vai regressando.  Ainda que os planos no governo passem por realojar os habitantes em zonas mais seguras da ilha, estes resistem, pois ali está o seu ganha pão, a terra que lhe dá o vinho e a comida de todas as horas. Recusam ficar reféns de um programa de cestas básicas e realojamento forçado para se entregarem de novo à terra que amam.

O Vinho do Fogo

A Ilha do Fogo, além de muitas outras belezas, tem um vinho característico. Um vinho que na boca parece que transporta toda a força e calor do vulcão.

Há dois tipos de vinho:

Manecon: é o vinho característico do Fogo, produzido em Chã das Caldeiras através de um processo artesanal e tradicional. É um vinho encorpado, com personalidade e com um alto teor de álcool.

Vinho de Chã: é produzido na adega da Associação dos Agricultores da Chã das Caldeiras, por cerca de 30 agricultores. As videiras ocupam uma área de cerca de 120ha, principalmente nas encostas do vulcão.

vinhas-caboVerde-OsmeusTrilhos-1

As gentes destas terras são uma inspiração de resiliência, coragem e entregue à terra dos seus avós. Subiremos ao cume mais alto do Pico do Fogo, mas antes disso já alcançamos a admiração pelo trabalho árduo e entrega.

Por aqui a luz chega por painéis solares que não aguentam um secador, mas provamos o vinho, feito com o saber ancestral e a ardência do fogo e as frutas mais doces, olhando em volta o silêncio da aldeia que descansa para acordar, cedo, para mais um dia de trabalho.

Por aqui não há wi-fi mas sentimo-nos mais perto do céu…

Vulcão do Fogo à Noite, Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo

São Filipe, a capital do Fogo

Depois de dois dias incríveis em Chã das Caldeira, sentindo o calor do vulcão debaixo dos nossos pés e subindo, majestosamente, até ao topo do Pico do Fogo, como aqui vos contaremos, regressámos a S. Filipe, para conhecer a cidade capital e mais cosmopolita da ilha.

Se para cima fomos de taxi, na descida conseguimos apanhar o aluguer matinal, junto com as crianças que, desde a destruição da escola na erupção e 2014/2015, descem das montanhas para ir à escola nas povoações vizinhas.

Padrão, em São Filipe. Daqui tens-se uma vista desafogada para o oceano Atlântico. Se repararem está uma “passarinha” sobre a esfera armilar, é o pássaro símbolo de Cabo Verde

Quase não conseguimos lugar para as mochilas. A época da vindima começou cedo e um senhor decidiu trazer as suas uvas para vender no mercado em S. Filipe. São potes e mais potes de uva branca. Quando pensámos que não cabe mais ninguém na Toyota Hiace, lá entra outro senhor, e outro, e mais outro… toda a gente se acomoda.

O centro de São Filipe fervilha a esta hora do dia. São 8 da manhã e as pessoas andam num rodopio, de cá para lá.

São Filipe, Ilha do Fogo, Cabo Verde

Há dezenas de pequenas lojas que se alinham nas ruas estreitas do centro histórico. Aqui tudo se vende. Os comércios amplos, de balcões corridos e albergam nas vitrines os produtos disponíveis. São o que resta de um passado colonial construído nestas paredes.

As ruas de São Filipe são debruadas por casas de sobrados. Os sobrados são habitações de madeira, construídas no tempo colonial, e que são uma das características da Ilha do Fogo. Damos uma volta pelo museu municipal instalado num desses antigos sobrados. Aqui conhecemos melhor o arquipélago e a ilha do fogo, tão fascinada com o seu vulcão para o qual olha com um misto de deslumbramento e pavor.

Sobrados em São Filipe, Ilha do Fogo, Cabo Verde

Vista interior do Museu Municipal, instalado num antigo sobrado.

Nesta cidade, como em tantas outras, somos atraídos para o seu mercado central, onde aproveitamos para comprar alguns tomates e fruta que nos servirão de acompanhamento ao jantar daquela noite na nossa mais recente morada nas Casas do Sol, onde a cozinha está à nossa inteira disposição depois de uma tarde passada na piscina e na praia de areia negra. E que bela tarde aqui passámos…

Mercado em São Filipe, Ilha do Fogo, Cabo Verde

Vendedores de Peixe no centro histórico de S. Filipe, perto do Mercado Central.

Praia da Bila, uma extensa e lindíssima praia de areia negra, em São Filipe

As nossa dicas para visitar a Ilha do Fogo
  • Transportes: para subir até Chã das Caldeiras temos duas opções: Taxi, que custa entre 6 mil e 7 mil escudos e alugueres, cujo preço anda à volta de 1000 escudos. Para subir o aluguer sai a meio da manhã de São Filipe e para descer o aluguer sai às 6:00 da manhã de Chã das Caldeiras.
  • Um taxi do centro de São Filipe para o aeroporto custa à volta de 400 escudos (dependendo da hora do dia).
  • Em Chã das Caldeiras ficámos alojados na Pensão Alcindo, um lugar tranquilo e com uma vista fantástica sobre o vulcão. O Alcindo e a Laetitia foram excelentes. Ajudaram-nos na preparação da subida ao vulcão e fizeram-nos comida deliciosa. Fica aqui o contacto deles: casaalcindofogo@gmail.com.
  • Em São Filipe ficámos nas Casas do Sol, um hotel simpático com piscina, e acesso à praia. No dia de manhã, como saímos muito cedo, prepararam-nos breakfast to go 🙂

 

 

Cidade Velha, onde começou Cabo Verde

Chegamos à Cidade Velha, já o sol se escondia por detrás da Ilha do Fogo. As cores quentes davam um toque dourado à silhueta do vulcão, que daqui, da Ilha de Santiago, não é mais do que um pequeno cone que desponta, mais além no oceano Atlântico.

CidadeVelha-CaboVerde-OsMeusTrilhos-6

Está uma tarde fantástica, com as temperaturas a amainarem e as pessoas a juntarem-se na praça, nos cafés, à beira-mar, onde quer que pudessem desfrutar da maresia que entra terra adentro.

Neste recanto verde da ilha, é fácil perceber porque é que os navegadores portugueses, no Séc. XV (1460) ficaram encantados com esta enseada. Deram-lhe o nome de Ribeira Grande, pela fonte de água potável que escorria entre as montanhas empoeiradas.

CidadeVelha-CaboVerde-OsMeusTrilhos-1

Ribeira Grande foi a primeira cidade do mundo construída por europeus nos trópicos, tornando-se a primeira capital do arquipélago. Em 1770 a capital do arquipélago foi transferida para a Praia de Santa Maria, a atual Cidade da Praia.

A nossa viagem completa pela Ilha de Santiago
Para saber tudo sobre a Ilha de Santiago, dicas, ideias e roteiro é só clicar aqui!

Percorremos as barracas de souvenirs e comida que se alinham na praça do Pelourinho. Os vendedores senegaleses tentam captar a nossa atenção. Por enquanto centramo-nos no Pelourinho que é o ator principal nesta pequena praça. Erguido em 1520, este velhote de rocha ainda hoje se mantém de pé. Foi testemunha da ascensão e da queda da sua cidade. Viu escravos serem arrancados e comercializados como se uma qualquer mercadoria se tratasse, viu muita coisa e ainda é testemunho desses dias gloriosos e dos outros que envergonham qualquer ser humano.

CidadeVelha-CaboVerde-OsMeusTrilhos-7

Ouvem-se as ondas que se enrolam na areia e os miúdos que entre uma futebolada dão um mergulho no mar.

E foi por causa do mar que esta cidade foi aqui erigida. Durante séculos a Ribeira Grande, hoje a Cidade Velha, teve um papel preponderante, servindo  de ponto de abastecimento para o comércio de escravos entre África e América.

Por aqui passaram navegadores e aventureiros, padres e cavaleiros, em busca de fama, glória e almas perdidas.  Foi porto de escala de dois dos maiores vultos da época, o navegador Vasco da Gama, que aqui atracou em 1497 na sua viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia, e um ano mais tarde Cristóvão Colombo na sua terceira sua terceira viagem para as Américas.

Santiago_Cidade Velha_Futebol

Perguntamos onde começa a Rua Banana, apontam para uma rua a 50 metros da praça. Metemos pela enigmática rua, afinal a Rua Banana, que conduz à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, foi a primeira rua de urbanização portuguesa nos trópicos.

Os anos passaram mas mantém o charme de então.

CidadeVelha-CaboVerde-OsMeusTrilhos-10

Trocamos algumas palavras com os cabo-verdianos que aproveitam a frescura de final de tarde. A rua desemboca numa autêntica jóia viva da história e do património português além mar, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Erguida em 1495, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário é a mais antiga igreja colonial do mundo. Aqui pregou o Padre António Vieira, quando em 1652 passou pelo arquipélago, quando regressava ao Brasil. Aportou por aqui, por acaso, em consequência de um naufrágio e num rasgo lá dispara uma das suas pregações: “Há aqui padres tão negros como azeviche. Mas só neste particular são diferentes dos de Portugal, porque tão doutos, tão morigerados, tão bons músicos que fazem inveja aos melhores das melhores Catedrais de Portugal”.

CidadeVelha-CaboVerde-OsMeusTrilhos-11

A cidade da Ribeira Grande desempenhou um papel importantíssimo na altura dos descobrimentos e no apoio às rotas marítimas para a América e para o sul de África, permitindo o reabastecimento de água e de alimentos frescos, e as reparações navais. As ilhas serviram ainda como laboratório onde se experimentavam e aclimatavam diversas espécies agrícolas e animais, europeias e africanas, que foram introduzidas no continente americano, e outras, oriundas deste, que transitaram para a África e a Europa.

Sucessivas incursões corsárias roubaram a riqueza e a importância à Ribeira Grande. Em 1712, o corsário francês Cassard deu-lhe o golpe de misericórdia. Apoiado por Louis XIV, que o incumbiu da missão de cometer “todos os actos de hostilidades possíveis nas colónias inglesas, portuguesas e holandesas”, incendiou e arrasou a Cidade Velha. As ruínas da Sé estão lá para o provar…

É verdade que hoje, esta cidade, é uma miríade do seu passado, passou da Ribeira Grande à Cidade Velha, perdeu a fama mas ganhou um lugar na História.

O Lindo já nos espera na Praça do Pelourinho. Olho para uma foto antiga da Cidade Velha, dos seus monumentos deitados ao abandono, esquecidos. Mas, nos finais da década de 1980 o governo cabo-verdiano apostou na recuperação da cidade, em estreita colaboração com o governo Português e Espanhol. O reconhecimento do valor histórico da cidade e do investimento na recuperação do seu património chegou em 2009 quando a UNESCO classificou a Cidade Velha como Património Mundial da Humanidade.

A Cidade Velha é um dos 948 sítios considerados património da humanidade que existem em todo o planeta e é um dos dois que existe na África Ocidental.

CidadeVelha-CaboVerde-OsMeusTrilhos-2

Olhámos para trás, deitamos um último olhar sobre o Real Forte de São Filipe que século após século vigia a sua Cidade, ora vitoriosa, ora Velha, mas sempre formosa.

Mercado da Assomada (Ilha de Santiago, Cabo Verde)

Andar entre os vendedores do Mercado da Assomada, na Ilha de Santiago, é como olhar para a alma de um povo, é sentir-lhes o pulso.

Nunca dispensámos um mercado. No meio de uma viagem como esta, ir a um mercado é ingerir uma boa dose de “isotónico”. Este é daqueles sítios que nos levantam a moral, que nos fazem correr quilómetros para mergulhar nas cores e nos cheiros mais genuínos de um qualquer país.

Mulher vendendo no Mercado da Assomada

As cores do Mercado da Assomada são assim, são uma lufada de ar fresco e de cor no clima seco, árido e agreste de Cabo Verde.

Há mercado todos os dias, mas as quartas-feiras e sábados são os dias fortes. Sorte para nós, hoje é sábado.

Estamos a dar uma volta à ilha (toda a história está bem contada aqui), viemos diretos da cidade da Praia com umas pequenas paragens para apreciar a paisagem e a aldeia onde nasceu o condutor do nossa táxi, o Lindo.

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-9

Subimos entre montanhas acastanhadas pintalgadas aqui e ali por aldeias recônditas até à cidade de Assomada, no meio da Ilha de Santiago. Daqui, passando pela serra da Malagueta desceremos até ao Tarrafal.

Assomada é a segunda cidade de Santiago, fica a cerca de 50 km da Praia. A cidade vários edifícios que nos mostram como foi o seu passado histórico.

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-1Vista da Cidade da Assomada, vista de um miradouro antes de chegar à cidade.

Assomada, sede do concelho de Santa Catarina e segundo maior centro urbano da Ilha de Santiago, adquiriu o estatuto de cidade em 13 de Maio de 2001. Situada a 36 km a norte da cidade da Praia, a capital do país. Assomada é um importante polo comercial, e o seu mercado é considerado o maior e mais concorrido da ilha.

Agora, é relaxar e apreciar as lindas cores do Mercado da Assomada:

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-14

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-15

Visão geral do Mercado da Assomada

Meninos no Mercado da Assomada

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-10

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-8

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-7

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-6

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-5

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-4

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-3

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-2

MercadoAssomada-CaboVerde-OsMeusTrilhos-16

Ilha de Santiago, da Praia à Cidade Velha

Em pouco mais de 4 horas de avião havíamos de chegar à cidade da Praia. Já ia longa a noite e a única opção teria mesmo que passar pelo aluguer direto do táxi até ao nosso hotel. Íamos apreensivos com a demora na emissão do visto à chegada, uma vez que os relatos nos davam conta de enormes filas, mas talvez por ainda estarmos longe da época alta tudo se resolveu e em poucos minutos e, num ápice, já circulávamos pelas ruas da cidade com os olhares curiosos, que em ângulo de 180 º procuravam absorver o máximo da informação que nos chegava através dos cartazes que anunciavam o concerto de José Malhoa ou publicitavam os sumos Compal.

cidadeDaPraia-CaboVerde-OsMeusTrilhos-8

Com a diferença de apenas duas horas e trazendo na bagagem já meio dia de trabalho  e uma viagem de carro até Lisboa não foi difícil cair num sono profundo que interrompemos ao primeiro raio de sol animados pela descoberta da Ilha de Santiago.

Se o pequeno almoço nos confortou, foram as expectativas da viagem que nos animaram e num pescar de olhos estávamos num táxi com outros três portugueses que por sorte encontrámos no hotel e  num desenrancanso ultramarino conseguimos convencer o taxista a levar-nos aos cinco num veículo com claro excesso de carga! Se nos mandasse parar a polícia lá se iria a poupança.

Ilha de Santiago-CaboVerde-OsMeusTrilhos-2Com o grupo de Portugueses que conhecemos na Praia e o nosso taxista, o Lindo.

Combinámos o percurso, sabendo que nos entregaríamos à boa fé e disposição do motorista, que nos guiou, apertadinhos no banco traseiro, pelas estradas em zig zague de toda a ilha .

Assomada

A simpatia do Lindo, o nosso guia pela ilha ao volante do seu carro branco, fez uma primeira paragem no Mercado da Assomada onde as cores, sabores e odores da ilha se reuniram ao sotaque criolo. As fotos ficam magnificas aos sons do colorido pregão enquanto as vistas inquisitivas tentam descobrir os nomes dos mais estranhos produtos que por aqui se vendem.

Mulher vendendo no Mercado da AssomadaMulher vendendo legumes no Mercado da Assomada

É na zona dos frescos que nos perdemos e vamos trocando sorrisos e breves palavras com as vendedoras, até à esquina onde um alfaiate se entrega ao trabalho expondo os coloridos vestidos que nos tentam a gastar alguns dos escudos que já levantamos.

Cá fora vendem-se os têxteis e roupas interiores de fabrico asiático que se podem encontrar na loja ao lado de casa, amontoam-se os artigos de plástico que vão do chinelo aos utensílios de cozinha que se confundem com os vendidos na feira semanal da nossa terra!

Seguimos até ao Tarrafal, onde confrontaremos um dos marcos mais negros da nossa história recente. No caminho , o ziguezaguedo pelas montanhas levou-nos até à Serra da Malagueta, onde se tem um fantástica vista para o vale.

Ilha de Santiago-CaboVerde-OsMeusTrilhos-3

Tarrafal

Chamada de  Colónia Penal do Tarrafal, situada por ironia no lugar de Chão Bom, foi criada no ano de 1936 e recebeu até 1956 os presos políticos de todo um império. 32 detidos, das mais diversas origens acabaram por falecer na prisão.

Tarrafal_CaboVerde_osmeustrilhos

Mas para saber mais e melhor aconselhamos a visita à estrutura abandonada e aos seus pavilhões que ensombram a paisagem, tal como atormentaram muitos dos detidos, que durante décadas contiveram em regimes forçados e largas penas e castigos que hoje apenas podemos imaginar! A visita a todo o complexo custa 100 escudos, mas vale pelo interesse histórico, pela possibilidade de conhecer um passado que não queremos que se repita e que ali jaz, com traços de abandono em edifícios decadentes mas que ainda albergam muitos pormenores do terror que ali se viveu.

MeninosTarrafal_CaboVerde_osmeustrilhos

Paramos depois para almoçar junto da praia do Tarrafal, a melhor da ilha, dizem… Encimada por árvores,  é uma espécie de praia dupla que se divide por rochas, mas também por atividades. Se de um dos seus lados se trabalha, no outros descansam turistas e locais, enquanto observam as águas azuis de tonalidades diferentes consoante a nossa posição.

PraiasTarrafal_CaboVerde_osmeustrilhos

Podemos dizer que nesse dia a areia queimava os pés e só numa sombra conseguimos algum alívio.

Ilha de Santiago-CaboVerde-OsMeusTrilhos-5

Pedimos ao Lindo para no regresso nos levar por outro caminho e assim ainda conseguimos apreciar a paisagem da ilha de Santiago, que por ser mais agrícola e verde constatou com todos os tons de castanho que até então podemos observar. Em Pedra Badejo, como um oásis no deserto foram surgindo plantações de milho, de cana e algumas bananeiras que nos acompanharam no percurso.

Ilha de Santiago-CaboVerde-OsMeusTrilhos-6

Aproveitando a disponibilidade, a companhia e por que se tornou aprazível a viagem, ainda que isso implicasse partilhar o banco traseiro entre quatro turistas entusiasmados, acabamos a renegociar o preço do trajeto por uns quilómetros extra até à Cidade Velha e ao Real Forte de São Filipe. Nada que atrapalhasse o Lindo que apenas teve de ligar para casa a lembrar que as galinhas precisavam de alimento…

Real Forte de São Filipe

Paramos no Real Forte de São Filipe, recentemente reconstruído e recuperado para receber o turismo, para compreendermos mais acerca da história de ilha.  O Celestino proporcionou-nos um agradável passeio entre as muralhas, explicando acerca da construção do mesmo, em pleno reinado Filipino, com o objectivo de afastar os piratas daquela que era uma importante cidade para abastecimento de embarcações que cruzavam  atlântico em busca de riqueza e novas gentes.

CidadeVelha-CaboVerde-OsMeusTrilhos-4

Percebemos que em menos de 500 anos, toda a ilha se modificou, abandonando a cidade velha,  que se ergueu à  custa do trabalho escravo e se tornou num importante interposto comercial não só de seres humanos, mas também de bens,  crescendo para os lados da Cidade da Praia, mais resguardada de ataques e onde se ergue o hoje a capital de Cabo Verde.

Cidade Velha

As vistas do forte mostram aos seus pés as ruínas de antigos edifícios religiosos, a visão ofuscada pelo nevoeiro da ilha do Fogo, mas também são uma lição de superação e coragem de todos aqueles que trazidos em barcos de negreiros ali foram parar acabando por se fixar forçadamente a mando de senhores poderosos que aos olhos do mundo de hoje não são mais que criminosos.

Mas é no centro da cidade velha que se ergue o Pelourinho que assinala a importância daquela terra e de muitas das atrocidades que se cometeram naqueles tempos…

CidadeVelha-CaboVerde-OsMeusTrilhos-6

É também na Cidade Velha que passeamos na Rua Bananas, a primeira rua da ilha de Santiago, de todo o arquipélago marcando esta cidade como a primeira a ser fundada na África subsariana.

Foi neste pedaço de terra que começaram a convergir as mais diversas gentes e culturas, foi aqui que se começou a desenhar o carácter das gentes de Cabo Verde.

Acertamos contas com o Lindo e combinamos já com ele a viagem para o aeroporto no dia seguinte. Como no regresso da Ilha do Fogo e antes de irmos para S. Vicente teremos ainda mais umas horas na Cidade da Praia,  combinamos também com o Lindo, para que nos vá buscar ao aeroporto e nos deixe no Plateau e é assim que à hora marcada nos voltaremos a encontrar.

Cidade da Praia

Chegámos cedo do Fogo, e estamos de regresso à Cidade da Praia para umas quantas horas de descoberta da capital deste arquipélago magnífico. Desta vez o Lindo deixa-nos na avenida Amílcar Cabral e é daqui que partimos para a exploração do Plateau, o centro histórico da cidade e o seu bairro mais cosmopolita.

Mas primeiro, e porque ainda é cedo, descemos ao Mercado de Sucupira.

O mercado  ferve a esta hora do dia. As barraquinhas de comida estão em pleno, insistem para comermos qualquer coisa, mas ainda é cedo! Ouvem-se os primeiros pregões da manhã. Os vendedores aprontam-se, as mercadorias são descarregadas e os alugueres apinham-se de gente de gente. Depois de uma boa meia hora, regressamos ao Plateau.

Sucupira_CaboVerde_osmeustrilhos

No dia 5 de julho de 1975 é proclamada a independência de Cabo Verde, para este desfecho muito contribui o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que lutou estoicamente pelas aspirações autonomistas e independentistas  de Cabo Verde e da Guiné-Bissau. Com o advento do 25 de Abril e o fim da Guerra Colonial, a independência do arquipélago viria a concretizar-se a 5 de julho de 1975.

E é na Avenida 4 de julho que fazemos uma pausa. Sentamo-nos na Pastelaria Vilu e pedimos duas bicas. Sabe-nos como a vida. Protegemo-nos do Sol que já aquece a ilha. Os cafés ao estilo português alinham-se na principal avenida da cidade e enchem as esplanadas de cabo-verdianos e turistas.

pastelaria vilu - cidade da praia

Com as energias repostas damos um salto ao Museu etnográfico de Cabo Verde, mesmo ali ao lado. É um museu simples, mas com informação essencial para compreendermos quer a geografia, quer as gente dos arquipélago.

A caminho da Casa Museu Amilcar Cabral, o herói nacional e lutador pela independência, passamos pela Praça Alexandre Albuquerque, praça central e onde desaguam as principais avenidas do Plateau.

cidadeDaPraia-CaboVerde-OsMeusTrilhos-7

Antes de regressarmos à Rua Peatonal, onde almoçámos e nos despediríamos da cidade, fazemos uma visita a Diogo Gomes, que do alto do Palteau vigia a cidade, zela por ela noite e dia, qual vigilante dedicado!

cidadeDaPraia-CaboVerde-OsMeusTrilhos-14

 

As nossas dicas para visitar tranquilamente a Ilha de Santiago
  • Um táxi do aeroporto até às cidade da Praia custa mais ou menos 1500 escudos, pode ser um pouco menos de dizer a viagem durante o dia ou se o seu destino for mais perto do centro.
  • Facilmente damos a volta à ilha de aluguer (carrinha coletivas que normalmente saem do centro da cidade – mercado de Sucupira). Os alugueres são bastante frequentes e baratos. Por um aluguer da Praia até Assomada e daqui até ao Tarrafal são cerca de 1000 escudos. Nos, como conhecemos 3 portugueses que também iam dar uma volta pela ilha, aproveitamos e negociamos um táxi. Por um dia inteiro à volta da ilha, com paragem onde lhe pedíamos, pagamos cerca de 80€. A viagem começou na Praia, paramos na Assomada, Tarrafal, Pedra Barulho, Forte de São Filipe e terminamos já noite na Velha.
  • Para andar por Santiago sugerimos o Lindo, um taxista dedicado, conhecedor da sua terra e muito divertido. Deixamos o seu facebook para entrarem em contacto com ele.
  • A entrada na Colónia Penal do Tarrafal custa 100 escudos por pessoa.
  • A entrada no Real Forte de São Filipe custa 500 escudos por pessoa.
  • Para visitar a Casa Museu Amilcar Cabral temos de pagar uma entrada no valor de 250 escudos.
  • A entrada no Museu Etnográfico custa 200 escudos por pessoa.

Passadiço do Alamal – um paraíso à beira Tejo

Nas margens do Tejo, em terras de ordens medievais, onde em cada esquina se murmuram estórias de mouras e cavaleiros, estende-se o Passadiço do Alamal. Não é um percurso que nos deixe sem fôlego e de pernas doridas, mas sabe tão bem passear pachorrentamente à beira Tejo e escapar à euforia dos dias.

Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-1-3.jpg

Passadiço do Alamal, estende-se na margem sul do Tejo, do outro lado de Belver, ao longo de 2 km. É uma paz de alma saborear os quilómetros que separam a praia do Alamal da ponte de Belver, no Concelho de Gavião. É fresco, é giro e é vigorante.

Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-10

Deixámos o carro na Praia do Alamal, ainda tranquila nesta manhã fresca de primavera. Sente-se uma pequena brisa no ar que nos traz a frescura do Tejo de encontro à cara. As nuvens carregadas ameaçam chuva, mas de quando em vez, o sol aparece bem forte e faz-nos correr para uma sombra.

Sempre com o Castelo de Belver a fazer-nos companhia, bordejamos lentamente rio acima, mas parávamos mais do que andávamos, é verdade.

Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-7.jpg

Quando não eram as fotos eram os patos, as cegonhas ou às diversas espécies de plantas que povoam as margens do passadiço. Há louro e amieiros, sobreiros e videiras, espargos e passiflora… há tanto para nos entreter neste 4 kms.

Passadiços do Alamal - Flores

O passadiço não tem a imponência nem a espectacularidade dos Passadiços do Paiva e não esperem deste trilho um percurso para pôr em prática os mais elevados dotes de caminheiro, pois, este é, acima de tudo, um lugar de contemplação, de deslumbramento, para se fazer nas calmas, sentindo a correnteza do Tejo e largando a euforia dos dias.Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-9.jpg

O Passadiço do Almal termina junto à ponte de Belver, que neste momento se encontra encerrada para manutenção. A Ponte de Belver une Gavião a Belver, a única freguesia do outro lado do rio. Inaugurada em 1907, é uma ponte fundamental para a vida dos cidadão destas bandas. Agora, enquanto não reabre temos de ir à Barragem de Belver, uns quilómetros mais abaixo, para cruzarmos o rio e subirmos ao Castelo.

Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-12.jpg

Da ponte de Belver, as vistas são fantásticas…

Voltamos para trás, com a brisa a amainar e as águas do Tejo a acalmarem. Tornam-se num espelho gigantesco.

Subimos os últimos degraus, ladeando a rocha que entra rio adentro. Mais uma mirada para trás e a praia é já ali.

Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-5

Depois dos 4 kms, dois para lá e dois para cá, vimos de alma lavada e renovados. Começa a fazer calor e o sol já está a pique. Estamos de volta ao areal branco da Praia do Alamal. O responsável pelo bar aperalta o espaço na esperança dos clientes que hão de chegar com o calor da tarde. Conta-nos que é possível fazer uns belíssimos passeios de barco no Tejo com direito a ver os Grifos nas escarpas. Fazemos-lhe a promessa de voltar.

Olhamos mais uma vez o Castelo que se aperalta refletido nas águas. Metemo-nos à estrada para reaparecermos, uns minutos depois do outro lado. com estas vistas para o passadiço.

Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-25.jpg

Praia do Alamal vista do alto do Castelo de Belver

 

Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-24Vista dos Passadiços do Alamal desde o Castelo de Belver.

Dicas e informações úteis sobre o Passadiço do Alamal

  • O passadiço do Alamal começa na Praia do Alamal. No total o Passadiço tem 2 km, que se fazem bem em meia hora (4km ida/volta). Se voltar à praia, uma hora é suficiente.
  • O Passadiço está integrado no  percurso pedestre “PR1 – Arribas do Tejo”, que no total são 15km (4 a 5 horas). Neste momento não é possível fazer o percurso integral uma vez que a Ponte de Belver está encerrada. A solução é pedir ao responsável do bar da praia que vos passe para o outro lado do rio.
  • O passadiço situa-se no concelho de Gavião, no distrito de Portalegre. Ver no mapa a localização. Para chegar à Praia do Alamal basta seguir as indicações à saída de gavião
  • Na Praia do Alamal existe um restaurante/bar, infraestruturas de apoio ao veraneio, desportos de lazer, etc
  • Alojamento: mesmo junto à praia e com vistas fantásticas para o rio e o castelo, temos o Alamal River Club.

Passadiços do Alamal_OsMeusTrilhos-3.jpg

Entre marnotos e sal no EcoMuseu do Sal da Figueira da Foz

Nem sempre viajamos pelos melhores motivos, mas aproveitamos sempre, seja qual for o propósito da viagem para explorar e conhecer, onde quer que o nossos trilhos se encontrem.

Este fim de semana fomos até à Figueira da foz, terra nossa conhecida, dos Verões de outrora e das escapadas furtivas em plena época de exame, aproveitando o sol e a praia para relaxar, antes ou depois daquela oral sofrida!

ecomuseu do sal - figueira foz_OsMeusTrilhos-2

Para quem conhece a Figueira da foz, sabe que nem sempre o sol brilha, nem sempre a água convida a grandes mergulhos e que muitas vezes o vento é o anfitrião indesejado transformando a areia em rebuliço numa forma de tortura, recordando tempos medievais.

Não sendo nós verdadeiros apreciadores de praia, banhos de sol, sabemos que não se pode reconduzir toda a nossa costa à dicotomia calor/praia e procuramos sempre no âmago da costa os tesouros escondidos, ofuscados pelo sol que embriaga muitos turistas.

ecomuseu do sal - figueira foz_OsMeusTrilhos-3

O tempo, esse mais uma vez recebeu-nos violento, fustigando a praia em rajadas fortes, derramando uma chuva pesada na arreia e inundando de arrepios de frios, os nossos corpos já habituados aos rigores invernis da Serrania. Ainda assim rumámos às salinas de Lavos, onde fomos recebidos pela simpatia das funcionárias do Ecomuseu do Sal, e integrando um grupo de turistas galegos, pudemos ficar conhecedores da arte imemorial dos marnotos.

O Núcleo Museológico do Sal em Lavos deu-nos a oportunidade de aprender um pouco mais da mestria, que com sabedoria e cuidado ao nosso mar fomos buscar em séculos de nação que à beira mar plantada, com a sua água foi brindada.

A clareza da exposição, feita num perfeito “portunhol”, foi esclarecedora das fases em que se divide a produção do sal, bem como das suas inúmeras propriedades e outras curiosidades.

ecomuseu do sal - figueira foz_OsMeusTrilhos-1

A sorte estaria connosco, talvez por tanto amaldiçoarmos o frio, fomos aquecidos pela degustação de produtos da casa do sal da Figueira da foz, bem como das enguias doces do restaurante Grazina.

Ao lado do museu a salina do corredor da cobra, descansa agora preparando-se para os dias duros que o Verão lhe trará, mas no seu armazém visitável conseguimos perceber mais acerca desta união entre o sal e madeira das construções que envolvem as salinas, bem como da perfeição da construção dos mecanismos de madeira que funcionam como chave.

EcoMuseu do Sal - Figueira da Foz_22 - Os meus Trilhos

Caminhamos inseguros pela salina, onde na lama deixámos a nossa pegada com a firme certeza que este Verão voltaremos à Figueira da Foz, não só para desfrutar da praia de do areal, mas também para viver de perto a produção de sal e realizar o percurso pedestre: “A rota das salinas”.

EcoMuseu do Sal - Figueira da Foz_3 - Os meus Trilhos

Informação prática do EcoMuseu do Sal da Figueira da Foz

Horário:

Verão Inverno
1 de maio a 15 de setembro
quarta-feira a domingo / feriados:
10h30 às 12h30 / 14h30 às 18h45
Encerra às segundas e terças.
16 de setembro a 30 de abril
quinta-feira a domingo / feriados:
10h00 às 12h30 / 14h00 às 16h00
Encerra às segundas, terças e quartas.

Encerra nos feriados de: 1 de Janeiro, domingo de Páscoa, 1 de maio, 24 de junho e 25 de dezembro.

Entradas:
Crianças até 12 anos e adultos com mais de 65 anos – Gratuito | Adultos – 1€  | Bilhete Família (mínimo 3 visitantes) – 2€

Localização
O Ecomuseu do Sal, situa-se nos Armazéns de Lavos. Existem diversas placas na cidade que indicam a direção do Museu. Para ver no mapa a localização, é só clicar… |Coordenadas GPS: 40° 6’42.5627”N; 8°49’59.7034”W

Contactos e Visitas Guiadas a grupos
Sujeitas a marcação prévia: TEL.: Núcleo Museológico do Sal – 966 344 488; E-MAILnucleo.sal@cm-figfoz.pt | sonia.pinto@cm-figfoz.pt

Nota: informação recolhida do website do Município da Figueira da Foz.

Convento de San Benito, em Alcântara (Estremadura Espanhola)

Alcântara é um pequeno pueblo na Estremadura Espanhola. Encontrámos Alcântara por acaso. No caminho para as Festas do Povo de Campo Maior, sem dúvida uma das mais lindas festas populares de Portugal, em vez de seguirmos em linha reta, fomos pelo trajecto mais longo. Metemos pela Estremadura Espanhola em direção a Badajoz, e por lá dormimos.

Convento de San Benito

Depois da fronteira em Segura, no Parque Natural do Tejo Internacional, já aqui contámos, encontrámos uma das mais magníficas pontes que o engenho romano pode criar: a Ponte Romana de Alcântara a fazer inveja a qualquer arquitecto dos nossos dias.

Depois de uma demorada passeata ao longo das margens do Tejo, apreciando o gigante de pedra, subimos em direção ao pueblo e fomos dar de frente com outra joia, desta vez da época renascentista: o Convento de San Benito.

Convento de San Benito

Edificado no Séc. XVI, misturando diversos estilos bem característicos da época, o Convento de San Benito foi outrora a sede e a fortaleza da Ordem Militar de Alcântara.

O Convento, à semelhança de muitos outros monumentos da época, passou por muitas vicissitudes ao longo dos Séc. O Convento de San Benito foi saqueado durante a guerra da Sucessão, foi abandonado, atingido por terramotos, deixado na ruína… mas sobreviveu.

O conjunto foi adquirido pela Hidroeléctrica Espanhola que o restaurou. Em 1985 o Convento de San Benito passou a ser gerido pela Fundación San Benito de Alcántara.

Convento de San Benito

Na foto a seguir podemos ver dados na parede causados pelo terramoto de Lisboa, de 1755.

Convento de San BenitoMosteiro_Benedito_Alcantara_Espanha_osmeustrilhos_-2

A Iglesia Santa María de Almocóvar, mesmo ao lado do Convento.Convento de San Benito

 

Esperamos que tenham gostado desta visita rápida pelo Convento de San Benito. A visita não estaria concluída sem vos deixarmos uma dica preciosa:

A Fundação encarregue da gestão do Convento de San Benito promove visitas guiadas Grátis, no seguinte horário 12:15 horas, 13:15 horas, 16:30 horas e 17:45 horas. A visita dura cerca de 40min e é fundamental para perceber o entorno e o passado desde grandioso Convento.

Se quiseres saber mais sobre o Convento de San Benito, o site “Viajar por Estremadura” tem informação valiosa.

Para os mais preguiçosos, aqui fica a morada do Convento de San Benito: Calle Trajano / Calle Chapatal, CP: 10980 Alcántara (Cáceres), podem também consultar a localização nos Mapas da Google.

Ponte Romana de Alcântara (Espanha)

Os romanos eram exímios arquitectos e com mestria construíram obras maravilhosas na Península Ibérica. Hoje propomos uma viagem até ao outro lado da fronteira, até à estremadura Espanhola e visitar um magnífico exemplar da engenharia romana que maravilhou o mundo antigo. Venham então até à Ponte Romana de Alcântara. 

puente_alcantara_espanha_osmeustrilhos-1-1

Quem segue o blog e estes trilhos sabe que temos um fascínio especial por pontes. Há muito anos, ainda quando as câmaras fotográficas não tinham tantos megapíxeis como agora, inauguramos este blog no Gerês e começamos por escrever sobre Pontes. Hoje, voltámos a estes edifícios intemporais, ou como também escrevemos outrora, “Se os homens têm o amor, capaz das mais extraordinárias façanhas, as margens têm as pontes. Que seria delas sem este “amor” que as unisse?”.

Já dissemos que estamos do outro lado da fronteira, em terras de “nuestros hermanos”. Cruzamos a Serra da Malcata em direção a Penamacor. Entramos na Beira Baixa. Ladeamos Monsanto e Penha Garcia e cruzamos a fronteira em Segura um pouco mais abaixo, já no Parque Natural do Tejo Internacional, em Idanha-a-Nova. Uns quilómetros depois e estamos em Alcantara.

puente_alcantara_espanha_osmeustrilhos-1-1-2

pueblo de alcantara é por si só um excelente motivo para uma visita, além de um casco histórico bastante interessante, tem um mosteiro que valerá mais do que uma fugaz visita: o Convento de San Benito.

Mas hoje vamos recuar um pouco mais, vamos mais para lá da época medieval até ao tempo dos romanos.

A Ponte Romana de Alcântara é uma das obras de engenharia mais marcantes do período romano na Lusitânia e uma das pontes romanas mais importantes em todo o mundo.

Construída sobre o rio Tejo no Séc. II dC pelo arquiteto romano Cayo Iulio Lacer, no tempo do Imperador Trajano a Ponte Romana de Alcântara  teve um papel preponderante no estreitar das distâncias entre Norba (a atual Cáceres) e Conimbriga (em Portugal, claro).

Deve o seu nome aos árabes que dominaram a Ibéria durante largos séculos: al-Qantarat, que significa “a ponte”. Al-Qantarat, deu depois nome à localidade que se situa um pouco mais acima, Alcântara

No centro da ponte, mesmo por cima do pilar central, ergue-se um Arco do Triunfo de 13 metros de altura. Apesar de várias modificações ao longo da sua história, ainda conserva inscrições únicas, como a data da construção e uma dedicatória ao Imperador Trajano.

puente_alcantara_espanha_osmeustrilhos-1-2

Com uma história que se perde nos tempos, esta ponte carrega peripécias e curiosidades.puente_romano_de_alcantara_litografia_sXIX A litografia ao lado, dá-nos uma ideia do que passou ao longo dos tempos. Por exemplo, como forma de defesa, durante a Guerra da Restauração entre Portugal e Espanha alguns pilares foram destruídos para impedir o avanço das tropas.

Antes de rumarmos ao Pueblo de Alcântara, fixamos o olhar no pequeno tempo onde Deuses dos mundo antigo guardam a ponte dos forasteiros. O templo, onde jaz o arquitecto da ponte Caio Julio Lacer, foi convertido, como muitos outros, ao Cristianismo e mais depois dedicado a S. Julião (considerado santo padroeiro dos barqueiros, palhaços e trabalhadores de circo, peregrinos, pastores, viajantes e das profissões itinerantes, de uma forma geral 🙂

puente_alcantara_espanha_osmeustrilhos-1-3

Localização da Ponte Romana de Alcântara

A Ponte de Alcântara situa-se sobre o Rio Tejo,  junto à localidade de Alcântara, na Estremadura Espanhola. Está aqui o mapa para ajudar.

Neste site há muita informação, fotos e vídeos e pormenores sobre a Ponte Romana de Alcântara?

Gostaste da visita? Então comenta ou partilha nas redes sociais para os teus amigos também desfrutarem e assim viajamos juntos. 

Olá, somos o Sérgio e a Sandra! Costumamos dizer que "somos viajantes a tempo inteiro e juristas nas horas vagas". Mas somos, acima de tudo, apaixonados pelo mundo, pelas viagens... sejam elas curtas ou longas. É da Guarda, a cidade dos cinco f's e por sinal a mais cidade mais alta, que procuramos abolir fronteiras. Com mochila às costas e botas calçadas venham connosco, entrem em autocarros apinhados, comboios eternos e estradas lamacentas… Tudo sobre nós >>> Sigam-nos no Facebook

Irlanda do Norte, um roteiro para visitar o país de carro

1
Uma viagem pela Irlanda do Norte durante 5 dias, desde Belfast a Derry, um roteiro que incluiu uma roadtrip pela Causeway Costal...

Passadiço do Rio Minho | Melgaço

16,208FansCurti
0SeguidoresSeguir